Polícia

O que é verdade e o que é ficção em "Elize: Sombras de Uma Mulher"

Foto: Divulgação/Netflix
Filme da Netflix recria o caso Matsunaga com base em investigações, mas inclui cenas e acontecimentos criados para a narrativa  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/Netflix
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 31/07/2026, às 08h30



O lançamento de "Elize: Sombras de Uma Mulher" voltou a colocar um dos casos criminais de maior repercussão do país no centro das atenções. Desde que estreou na Netflix, o longa despertou o interesse de espectadores que passaram a questionar até que ponto os acontecimentos mostrados na tela correspondem aos fatos que marcaram o assassinato do empresário Marcos Matsunaga, em 2012.

Embora seja inspirado em documentos da investigação, depoimentos e registros do processo, o filme não é um documentário. A produção combina acontecimentos comprovados com elementos criados para desenvolver a narrativa e aprofundar os personagens.

O que aconteceu de fato

Foto: Divulgação/Netflix
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Entre os episódios baseados em fatos está a forma como Marcos e Elize se conheceram. O empresário iniciou o relacionamento quando ela trabalhava como acompanhante anunciada em um site especializado. Mais tarde, os dois passaram a viver juntos, oficializaram a união e tiveram uma filha.

Outro ponto retratado de forma semelhante ao que consta nas investigações é a crise no casamento. Antes do crime, Elize contratou um detetive particular para seguir o marido e descobriu casos extraconjugais, fato que integra o processo e foi citado durante as investigações.

O cenário do crime também foi reconstruído a partir de informações oficiais. O apartamento mostrado no filme reproduz características da cobertura onde o casal morava, incluindo um cômodo destinado à coleção de armas, já que Marcos era praticante de caça esportiva.

O que foi criado para o filme

Foto: Divulgação/Netflix
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Apesar da base documental, boa parte dos diálogos presentes na produção foi criada pelos roteiristas.

As discussões entre Marcos e Elize, por exemplo, não possuem registros ou testemunhas e foram desenvolvidas para construir a tensão dramática da história. Da mesma forma, a personalidade explosiva atribuída ao empresário é apresentada principalmente sob a perspectiva narrada por Elize durante as investigações, sem confirmação independente.

Outra mudança está na cronologia. O filme concentra os principais acontecimentos em um período menor para tornar a narrativa mais dinâmica. Na vida real, o relacionamento começou em 2004, o casal passou a morar junto em 2007, oficializou a união em 2009, teve a filha em 2011 e o crime ocorreu em maio de 2012.

Filme impulsiona interesse pelo caso

A repercussão da produção ultrapassou as fronteiras brasileiras. Segundo dados divulgados pela Netflix, "Elize: Sombras de Uma Mulher" registrou 16,2 milhões de visualizações entre os dias 20 e 26 de julho, tornando-se o filme em língua não inglesa mais assistido da plataforma no período.

O longa entrou para o Top 10 em 88 países e territórios e alcançou o primeiro lugar em mercados como Argentina, Chile, França, Polônia, República Tcheca, Taiwan e Eslováquia, além do Brasil.

Protagonizado por Lorena Comparato e Henrique Kimura, o filme tem roteiro de Raphael Montes e Mariana Torres, com direção de Felipe Vellas. Para interpretar Elize, Lorena revelou ter realizado um processo de preparação que incluiu terapia e pesquisa sobre documentos públicos, laudos do processo e o documentário da própria Netflix sobre o caso.

O sucesso internacional da produção reacendeu o interesse por um crime que, mais de uma década depois, continua despertando curiosidade do público e alimentando debates sobre os limites entre a dramatização e a fidelidade aos fatos em obras inspiradas em histórias reais.

Classificação Indicativa: Livre

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