Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 01/10/2026, às 11h06
O motociclista suspeito de importunar sexualmente mulheres que pedalavam por Guarujá, no litoral de São Paulo, confessou os ataques durante depoimento à Polícia Civil.
Segundo o delegado Glaucus Vinícius Silva, o homem afirmou que escolhia as vítimas que “chamavam sua atenção”.
O suspeito, de 26 anos, é investigado por pelo menos cinco casos registrados na cidade e já tinha passagem pela polícia pelo mesmo crime. Apesar disso, ele foi liberado após prestar depoimento.
A prisão não ocorreu por causa do artigo 236 do Código Eleitoral, que restringe a prisão de eleitores nos cinco dias anteriores às eleições, com exceções previstas em lei, como prisão em flagrante.
Segundo informações do g1, o homem compareceu à delegacia na quarta-feira (30), acompanhado do pai e da esposa. Aos policiais, afirmou que começou a praticar os ataques em maio deste ano.
A Polícia Civil também investiga se o número de vítimas pode ser maior, já que algumas mulheres podem não ter registrado ocorrência.
O homem já havia sido preso e condenado por importunação sexual em 2023. Na ocasião, segundo a polícia, ele teria cometido os crimes de maneira semelhante, utilizando uma motocicleta para se aproximar das vítimas.
A prisão acabou sendo convertida em prestação de serviços à comunidade.
“Um sujeito que não tem mais condição nenhuma de estar no convívio social”, afirmou o delegado do caso.
Ainda segundo o Glaucus, o suspeito tenta atribuir os ataques ao consumo de álcool e drogas. Conforme o relato apresentado à polícia, ele afirma que perde a noção da realidade quando faz uso das substâncias.
Os ataques foram registrados por câmeras de segurança em diferentes pontos de Guarujá e as imagens passaram a circular nas redes sociais.
Nos vídeos, o motociclista aparece utilizando uma bolsa semelhante às usadas por entregadores. Segundo a Polícia Civil, a identificação ocorreu a partir dos relatos das vítimas, das imagens de monitoramento e da placa da motocicleta.
Até o momento, cinco boletins de ocorrência foram registrados contra o suspeito.
O delegado orientou que mulheres que tenham sido abordadas pelo motociclista procurem as autoridades, mesmo que não tenham imagens ou outras provas materiais do ataque.
“O relato basta, é a melhor palavra. A melhor prova que nós temos é a vítima”.
A Polícia Civil ainda analisa juridicamente os casos para definir o enquadramento de cada ocorrência e reunir elementos para um eventual pedido de prisão.
Entre as possibilidades avaliadas estão crimes de estupro e estupro de vulnerável, já que uma das vítimas identificadas tem 12 anos.
Para o delegado, a forma como os ataques eram praticados também deverá ser considerada na análise dos casos. Segundo ele, o suspeito se aproximava das vítimas de surpresa, geralmente por trás, reduzindo a possibilidade de reação.
“Como ele ataca de surpresa, vem por trás, de maneira covarde, isso é um recurso que impossibilita completamente a mulher de se defender. Isso tem que ser considerado como uma espécie de violência indireta”, afirmou Glaucus.
As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas, esclarecer a dinâmica dos ataques e definir as medidas judiciais que poderão ser solicitadas contra o suspeito.
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