Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 14/10/2026, às 09h42
A influenciadora Paula Simões teria sido ameaçada de morte por integrantes da máfia italiana 'Ndrangheta, que chegaram a avaliar sua “cabeça” em 250 mil euros, cerca de R$ 1,4 milhão. Segundo a Polícia Federal (PF), as ameaças ocorreram após a organização criminosa descobrir o relacionamento extraconjugal da mulher com o advogado Patrick Raasch Cardoso.
A investigação resultou nas prisões de Paula e de Patrick Cardoso. O caso está relacionado à prisão do marido da influenciadora, Patrick Assisi, e do sogro dela, Nicola Assisi, detidos há cinco anos em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
De acordo com os investigadores, entre 2019 e 2023, Paula teria usufruído de viagens e artigos de luxo financiados com recursos do narcotráfico durante o relacionamento com Cardoso. A cúpula da organização criminosa teria ameaçado a influenciadora e advertido que a logística do tráfico poderia sofrer retaliações caso ela não se afastasse do advogado.
Ainda segundo a PF, os integrantes da máfia também teriam pressionado Paula a quitar dívidas relacionadas a carregamentos de cocaína que já haviam sido enviados ao exterior.
Até a última atualização das informações, não havia sido localizada a defesa dos envolvidos.
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Segundo a investigação, Paula utilizava o codinome “Chanel” no SkyECC, aplicativo de mensagens criptografadas. Os agentes analisaram conversas realizadas entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021 para identificar a atuação dela na estrutura criminosa.
A PF aponta que a influenciadora intermediava contatos entre fornecedores sul-americanos e investidores europeus, além de coordenar carregamentos de cocaína destinados ao exterior e participar da movimentação financeira da organização.
Entre os fornecedores identificados pelos investigadores está Elton Leonel Rumich da Silva, conhecido como Galã, apontado como liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraguai. Ele está preso na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Segundo o g1, a investigação também aponta a participação de Patrick Raasch Cardoso, advogado de Santos, no esquema de tráfico internacional de cocaína. Conforme a PF, ele teria intermediado contatos com traficantes internacionais ligados à 'Ndrangheta e, posteriormente, participado diretamente da coordenação de remessas de drogas.
O advogado também é suspeito de colaborar com a estruturação de operações de lavagem de dinheiro atribuídas a Paula. Entre as práticas investigadas estão locações supostamente dissimuladas, a aquisição de uma mansão avaliada em R$ 1,6 milhão e o uso de notas fiscais consideradas fraudulentas pelos investigadores.
Outro ponto da apuração envolve a suposta intermediação de contatos com Galã. Segundo a PF, Cardoso teria utilizado sua condição de advogado para transmitir mensagens de dentro para fora da prisão.
Para os investigadores, esses elementos indicam que a rede criminosa investigada ultrapassava os limites da máfia italiana e mantinha conexões com integrantes do PCC, ampliando o alcance das operações de tráfico internacional e lavagem de dinheiro.
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