Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 13/08/2026, às 07h47 - Atualizado às 07h47
A Polícia Federal (PF) realiza uma nova operação nesta quinta-feira (13) contra o advogado Nelson Wilians, que já havia sido alvo, no mês passado, de uma ação do Fisco paulista que investigava um esquema de fraude envolvendo créditos de ICMS em São Paulo e no Paraná.
Agentes federais cumprem um mandado de busca e apreensão na mansão do advogado, em São Paulo.
A medida foi autorizada pela Justiça Federal da Paraíba e faz parte da Operação Arena, que investiga um grupo empresarial do Nordeste suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras no exterior para esconder a origem e o destino de recursos obtidos com a exploração de jogos de azar e apostas esportivas.
Segundo as investigações, Nelson Wilians é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo. A PF apura a possível participação dele na movimentação e ocultação de valores relacionados às atividades investigadas.
Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão nos estados da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. As ordens foram expedidas pela 4ª Vara Federal da Paraíba.
Além das buscas, a operação envolve medidas de quebra de sigilos bancário e telemático dos investigados e o sequestro de bens e valores que pode chegar a R$ 1,1 bilhão.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder, de acordo com o grau de participação de cada um, pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados ao sistema financeiro nacional.
A nova ação ocorre menos de um mês depois de Nelson Wilians ser alvo de outra operação.
Em 15 de julho, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) deflagrou uma operação para desarticular uma organização suspeita de comercializar créditos falsos de ICMS com o objetivo de reduzir de forma ilegal os impostos pagos ao Estado de São Paulo.
Segundo as investigações, o esquema teria provocado um prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões em créditos tributários.
Um dos principais núcleos investigados estaria relacionado a um grupo econômico ligado ao advogado Nelson Wilians. Na ocasião, o escritório de advocacia dele também foi alvo de mandados de busca e apreensão.
A investigação também alcançou Anne Wilians, esposa de Nelson Wilians, que é advogada e sócia dele. Em Londrina, no Paraná, a advogada Mayra de Paula também foi alvo da operação. Segundo os investigadores, ela seria “sócia” de Wilians nas supostas fraudes.
Na época da operação contra a fraude no ICMS, o escritório de Nelson Wilians divulgou uma nota para negar participação no esquema e afirmou que a gestão das operações investigadas não era realizada pelo NWADV.
Segundo o escritório, as atividades mencionadas na investigação eram de responsabilidade exclusiva do De Paula Advogados & Consultoria Jurídica e não existiria vínculo societário ou de controle entre as duas estruturas.
O escritório afirmou ainda que, após identificar inconsistências, encerrou a parceria e comunicou os clientes envolvidos.
As novas medidas da Polícia Federal fazem parte de uma investigação distinta, conduzida pela Justiça Federal da Paraíba, e buscam esclarecer a eventual utilização de estruturas empresariais e financeiras para movimentar e ocultar recursos relacionados a jogos de azar e apostas esportivas.
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