Polícia
A Polícia Federal decidiu não aceitar a proposta de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão já foi comunicada à defesa do investigado e ao ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do chamado caso Master no Supremo Tribunal Federal.
Embora a manifestação da PF tenha sido negativa, a análise do acordo ainda pode prosseguir na Procuradoria-Geral da República. O entendimento do órgão ainda não foi divulgado oficialmente, segundo o G1.
As negociações vinham sendo conduzidas em conjunto entre PF e PGR. Segundo informações dos investigadores, o material entregue pela defesa teria acrescentado poucos elementos novos às apurações já realizadas, o que contribuiu para a rejeição da proposta.
De acordo com fontes ligadas à investigação, a avaliação dos responsáveis pelo caso é que Vorcaro não apresentou informações consideradas relevantes sobre pessoas apontadas como integrantes dos níveis mais altos da organização investigada.
Além disso, peritos analisaram parte dos celulares apreendidos com o banqueiro. Conforme os investigadores, os dados obtidos indicariam suspeitas que vão além de fraudes financeiras, incluindo possíveis crimes relacionados à corrupção, organização criminosa e uso de estrutura paralela para obtenção de informações sigilosas e ataques a adversários.
A proposta preliminar de colaboração havia sido apresentada cerca de 1 mês atrás. Tanto policiais federais quanto integrantes do Ministério Público consideraram que o conteúdo repetia fatos e diálogos já conhecidos no âmbito da Operação Compliance Zero, responsável pela primeira prisão de Vorcaro.
Nesta terça feira (19), o banqueiro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A mudança ocorreu após solicitação da própria PF.
Antes disso, Vorcaro permanecia em uma sala com características semelhantes às de Estado Maior. Em março, ele havia deixado a Penitenciária Federal de Brasília para cumprir custódia na sede da corporação.
Na véspera da transferência, a defesa informou às autoridades o interesse em negociar um acordo de colaboração. Pouco depois, foi assinado um termo de confidencialidade e os anexos da proposta foram entregues em formato digital.
A negociação previa discutir devolução de recursos e eventual comprovação de atos praticados por autoridades mencionadas, segundo relatos de investigadores.
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