Polícia
Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil cumpriu, nesta quinta (21), mandados contra investigados por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre os alvos estão a influenciadora e advogada Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho, apontado pelas autoridades como liderança da facção criminosa.
Além deles, foram expedidas ordens contra familiares de Marcola e pessoas apontadas como responsáveis pela movimentação financeira do grupo. Everton de Souza, conhecido como Player e descrito na investigação como operador financeiro, foi preso. Já uma sobrinha de Marcola foi detida na Espanha.
Segundo os investigadores, o esquema teria utilizado uma transportadora sediada em Presidente Venceslau para ocultar a origem de recursos da organização criminosa. Marcola e seu irmão, Alejandro Camacho, já estavam custodiados em presídios federais e foram apenas notificados sobre as novas decisões judiciais, segundo o G1.
As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de manuscritos encontrados com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material deu origem a diferentes inquéritos que, ao longo dos anos, revelaram novas camadas da estrutura investigada.
Uma das anotações mencionava uma suposta “mulher da transportadora”, referência que levou os investigadores a aprofundar a análise sobre uma empresa de transporte de cargas da cidade. As diligências apontaram que a companhia seria utilizada para movimentações financeiras suspeitas.
Posteriormente, a Operação Lado a Lado identificou crescimento patrimonial incompatível e transações consideradas atípicas. A apreensão do celular de um investigado apontado como operador central abriu uma nova frente de investigação, segundo o Ministério Público.
De acordo com a apuração, valores movimentados pela transportadora teriam sido direcionados a integrantes da cúpula do PCC e familiares. Os investigadores afirmam que contas vinculadas a Deolane Bezerra e Everton de Souza apareceram em registros encontrados durante a investigação.
Entre os elementos analisados estão depósitos em espécie realizados entre 2018 e 2021, além de transferências para empresas ligadas à influenciadora. A investigação sustenta que não foram identificados documentos que justificassem parte dessas movimentações financeiras.
Os levantamentos também apontam recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e vínculos com bens de alto padrão. Para os investigadores, essas operações teriam sido utilizadas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.
Ao autorizar as prisões, a Justiça considerou haver indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes investigados. A decisão menciona suspeitas de continuidade das atividades ilícitas, possibilidade de destruição de provas e interferência nas apurações.
Outro argumento apresentado foi o risco de ocultação patrimonial e eventual fuga de investigados que estariam fora do país. No caso de Deolane Bezerra, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões, valor relacionado a recursos cuja origem, segundo a investigação, ainda não foi comprovada.
As defesas dos envolvidos afirmaram que analisam o conteúdo das acusações. O advogado de Deolane informou que estava tomando conhecimento dos fatos, enquanto a defesa de Marcola declarou que também iria se inteirar do caso. A investigação continua em andamento.
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