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Polícia investiga deputado Marcelo Aguiar por suspeita de importunação sexual e disparo em balada de SP

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Marcelo Aguiar, do PL, foi acusado de importunar mulheres antes de confusão em SP; investigação também apura possível adulteração de placa de carro  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Redes Sociais
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 20/10/2026, às 15h15



Polícia Civil de São Paulo vai investigar se o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) cometeu importunação sexual contra mulheres, efetuou um disparo intencional ou acidental em uma casa noturna e utilizou um veículo com placa irregular.

O caso aconteceu na madrugada de segunda-feira (19), no Itaim Bibi, Zona Sul da capital.

Segundo relatos de testemunhas e o registro da Polícia Militar, o parlamentar estaria embriagado e teria abordado mulheres que não demonstravam interesse. A situação teria provocado uma discussão com amigos de uma delas, antes de o deputado sacar uma arma e disparar.

Não houve registro oficial de feridos. O apresentador Fred Bruno, da TV Globo, porém, relatou que sentiu o impacto de um projétil no pé durante a correria provocada pelo tiro.

Testemunhas relatam abordagem a mulheres

Uma frequentadora da casa noturna afirmou que Marcelo Aguiar estava muito embriagado e tentava se aproximar de mulheres que não correspondiam às investidas.

Segundo a testemunha, o deputado segurava uma taça de vinho e tentava pegar na mão de duas mulheres, além de encostar nelas e mexer no cabelo de uma delas.

“Ele estava do meu lado, literalmente, mas muito, muito, muito, muito bêbado, e estava segurando uma taça de vinho”, relatou a mulher, que pediu para não ser identificada.

Ainda de acordo com ela, uma das mulheres pediu ajuda aos amigos, que decidiram intervir e conversar com o parlamentar.

O boletim da PM registra que o deputado teria “cantado” uma mulher que estava com um grupo de amigos. Na sequência, dois homens foram tirar satisfação com ele.

PM relata que deputado sacou arma durante discussão

Segundo o g1, o parlamentar teria se sentido acuado durante o desentendimento, sacado uma arma de fogo e efetuado um disparo. O tiro não atingiu ninguém oficialmente identificado como vítima no local.

Após a confusão, o gerente da casa noturna acionou a Polícia Militar. Os agentes encontraram Marcelo sentado do lado de fora do estabelecimento, desarmaram o deputado, o algemaram e o levaram ao 14º Distrito Policial (DP), em Pinheiros.

Conforme o relato dos policiais, o parlamentar dormiu na viatura e chorou na delegacia. A ocorrência foi registrada inicialmente como disparo de arma de fogo.

Em depoimento, Marcelo afirmou que passou mal durante a permanência na casa noturna, possivelmente por causa de medicamentos que havia tomado. Ele também declarou ter ouvido o disparo e alegou que, caso o tiro tenha partido de sua arma, ocorreu de maneira acidental.

A investigação deverá esclarecer o que aconteceu durante a discussão e se houve tentativa de algum dos envolvidos de pegar a arma do deputado.

Arma foi apreendida e passará por perícia

A pistola Glock G42, calibre .380, pertencente ao parlamentar, foi apreendida e será submetida a perícia pela Polícia Técnico-Científica. Segundo as informações divulgadas, a arma está legalizada e Marcelo possui autorização para portá-la para defesa pessoal.

A reportagem também questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre a realização de exame residuográfico nas mãos do deputado, procedimento que pode identificar vestígios de disparo de arma de fogo.

A pasta foi questionada ainda sobre a ausência de teste do bafômetro, exame de sangue ou avaliação clínica para verificar se o parlamentar havia consumido álcool. Até a publicação das informações, não havia esclarecimentos sobre a realização desses exames.

Polícia também apura possível placa irregular

Outro ponto da investigação é o veículo utilizado pelo deputado para chegar à casa noturna. O carro estava estacionado do lado de fora do estabelecimento e, segundo a reportagem, circulava com uma placa irregular da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), sem autorização para utilizá-la.

A SSP informou que todas as circunstâncias serão apuradas, incluindo a possível utilização de placas adulteradas. Segundo a pasta, essa informação não havia sido relatada à autoridade policial durante o plantão.

O automóvel não foi apreendido durante a ocorrência.

Deputado foi liberado e caso aguarda autorização do TJ-SP

Marcelo Aguiar não permaneceu preso. Segundo as informações divulgadas, a Polícia Civil o liberou para responder em liberdade, considerando a condição de parlamentar e a natureza afiançável do crime inicialmente registrado.

A delegacia seccional responsável pela continuidade da investigação ainda aguardava autorização do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para instaurar formalmente o inquérito, em razão do foro por prerrogativa de função do deputado estadual. O pedido já havia sido encaminhado à Justiça.

A Alesp informou que a conduta do parlamentar poderá ser apurada pela Comissão de Ética. Já a casa noturna Santo afirmou que está colaborando com as investigações.

Em nota, a assessoria de Marcelo Aguiar declarou que o deputado estava sob efeito de medicamentos fortes, que teriam provocado uma reação adversa, e que acabou se envolvendo em uma discussão. A defesa afirmou que os fatos serão esclarecidos durante a investigação.

Quem é Marcelo Aguiar

Aos 53 anos, Marcelo Aguiar é cantor sertanejo gospel e integrante da chamada bancada evangélica da Assembleia Legislativa de São Paulo. Ele ganhou notoriedade na Igreja Renascer em Cristo, onde participou do grupo musical Renascer Praise. Entre suas canções conhecidas estão “Me Dá Poder de Filho” e “Eis-me Aqui”.

O parlamentar foi eleito vereador de São Paulo em 2008, pelo então PSC, com 41.506 votos. Em 2010, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, com 98.842 votos, mas não conseguiu retornar ao Congresso nas eleições seguintes.

A Polícia Civil deverá apurar as suspeitas de importunação sexual, as circunstâncias do disparo e a possível irregularidade na placa do veículo. Até a conclusão das investigações, as acusações contra o deputado permanecem sob apuração.

Classificação Indicativa: Livre

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