Polícia

SP registra duas mortes após reação a assaltos provocar mal súbito nas vítimas

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O risco de infarte gerado por picos de adrenalina e esforço físico, se repetiu em casos recentes no estado de São Paulo no mês de outubro  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Redes Sociais
Marina do Val

por Marina do Val

Publicado em 22/10/2026, às 18h07



Casos recentes de repercussão nacional revelam um padrão trágico: vítimas de furtos e roubos que, tomadas pelo impulso de reaver seus bens ou pela revolta contra a ação criminosa, saem em perseguição aos suspeitos e acabam pagando com a própria vida, não pela violência direta do criminoso, mas por um colapso cardíaco fulminante.

Dois episódios emblemáticos ilustram essa realidade. O primeiro envolveu o empresário José Aparecido dos Santos, de 69 anos, em Praia Grande, no litoral paulista. 

José conversava ao telefone quando um criminoso tentou arrancar seu aparelho. Tomado pela adrenalina, o empresário correu por cerca de três ruas atrás do suspeito, acompanhado por um funcionário. O esforço físico intenso, somado ao pico de adrenalina e estresse, provocou sua morte súbita. Ele desmaiou no asfalto e não resistiu.

Pouco antes, no início de outubro, um caso semelhante chocou a capital paulista. O renomado jornalista Márcio Chaer, fundador do site Consultor Jurídico (ConJur) e figura proeminente do jornalismo jurídico no país, morreu aos 71 anos no Centro de São Paulo. 

Chaer estava em um veículo quando criminosos furtaram o celular de uma das pessoas que o acompanhavam. O jornalista saiu correndo atrás dos bandidos a pé, mas sofreu um mal súbito durante a corrida, o quadro infelizmente evoluiu para uma emergência médica fatal.

Adrenalina e o risco cardíaco

Em situações de extrema ameaça ou assalto, o corpo humano aciona um mecanismo de sobrevivência, liberando uma pesada descarga de hormônios como a adrenalina e o cortisol. Essa reação prepara o organismo para a resposta clássica de "luta ou fuga".

Contudo, em pessoas com ou sem doenças cardiovasculares previamente diagnosticadas, e especialmente em idosos ou adultos de meia-idade, esse pico repentino de estresse eleva drasticamente a pressão arterial e a frequência cardíaca em questão de segundos.

Quando o indivíduo emenda essa descarga química hormonal com um esforço físico extenuante e não planejado, como correr em alta velocidade atrás de criminosos sob o sol ou em vias, o coração passa a exigir uma quantidade muito grande de oxigênio. 

Se as artérias coronárias não conseguem suprir essa demanda abrupta, o sistema cardiovascular entra em colapso, desencadeando um infarto agudo do miocárdio ou uma parada cardiorrespiratória irreversível.

Não reaja a assaltos

Autoridades policiais e especialistas reforçam constantemente a orientação de nunca reagir a assaltos ou tentar capturar os criminosos por conta própria. A resposta fisiológica do corpo ao perigo e ao esforço extremo é imprevisível e, como mostram essas tragédias, pode ser fatal.

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