Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 02/09/2026, às 15h00
Um estudante de 14 anos denunciou um professor de história por racismo após ser chamado de “neguinho” durante uma aula no Colégio Objetivo, unidade do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo.
O episódio aconteceu na manhã de terça-feira (1), em uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental.
Segundo o boletim de ocorrência registrado pelo pai do adolescente, o professor escrevia o conteúdo na lousa quando percebeu que alguns alunos conversavam e não copiavam a matéria. Segundo o g1, o docente teria elevado o tom de voz e passado a repreender os estudantes.
Em determinado momento, ainda de acordo com o BO, o professor se dirigiu ao adolescente, parou diante dele e perguntou: “E aí, neguinho, você não tem caderno para escrever?”
O caso foi registrado no 30º Distrito Policial (DP), no Tatuapé, como crime de racismo.
De acordo com o relato apresentado à polícia, alguns amigos do estudante demonstraram indignação durante o intervalo e passaram a comentar o episódio pelos corredores da escola.
O adolescente estuda no Colégio Objetivo há oito anos. Depois de deixar a instituição na terça-feira, ele ligou para o pai e contou o que havia ocorrido.
A família afirmou que sempre conversou com os filhos sobre racismo e sobre a importância de buscar ajuda diante de situações de discriminação.
“Nós somos uma família de pessoas pardas ou negras. Eu, minha esposa, ele, o irmão dele. A gente sempre conversou muito sobre isso em casa. A gente levou isso tudo muito tranquilamente dentro de casa, que ser negro não é demérito para ninguém, que não é diferente de ninguém. O que faz a pessoa são os atos, as atitudes”, afirmou.
O pai também disse que conversava com o filho sobre racismo estrutural e o orientava a pedir ajuda caso fosse vítima de discriminação.
Segundo ele, o adolescente está bem psicologicamente e retornou normalmente às aulas nesta quarta-feira (2). Apesar disso, a família pretende que o caso seja apurado e não fique impune.
Para o pai, o fato de a situação ter ocorrido dentro de uma instituição de ensino e envolver um professor aumenta a gravidade do episódio.
“Já é grave o caso de racismo. E aí você qualifica esse caso: é dentro de um ambiente escolar, de uma instituição renomada, contra um aluno, contra uma criança, e ele na posição de um educador, que deveria orientar, deveria disseminar a igualdade, seja ela racial, de gênero, de sexo. Enfim, na posição de educador, jamais poderia proferir esse tipo de palavra a um aluno, a uma pessoa”, disse.
O registro feito pela família será analisado pela Polícia Civil, que deverá apurar as circunstâncias do episódio e ouvir os envolvidos.
A denúncia ocorre em um contexto de discussão sobre o combate ao racismo no ambiente escolar, onde professores e instituições têm responsabilidade na promoção do respeito e da igualdade entre os estudantes.
Procurado, o Colégio Objetivo não havia se manifestado até a última atualização da reportagem.
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