Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 14/10/2026, às 09h35
O tenente da Polícia Militar Ronickson Pimentel dos Santos, de 40 anos, baleado na nuca em um atentado atribuído a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, no ABC paulista.
Mais de três meses após o ataque, o policial permanece em estado neurológico grave, apesar de apresentar estabilidade clínica.
O oficial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) foi baleado em 27 de junho, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Após o disparo, socorristas passaram cerca de 15 minutos tentando reanimá-lo. Desde então, ele passou por três cirurgias em um intervalo de 13 dias e recebeu atendimento de mais de 20 médicos.
Embora a equipe médica tenha indicado a saída da UTI em 22 de setembro, a transferência ainda não foi realizada porque falta uma estrutura de atendimento domiciliar capaz de garantir os cuidados contínuos necessários à manutenção da vida do policial.
Um relatório médico de 7 de outubro classificou a internação domiciliar ininterrupta como imprescindível para a manutenção da vida de Pimentel. Sem a estrutura necessária para realizar o atendimento em casa, ele continua hospitalizado.
De acordo com o portal Metrópoles, o tenente está sem sedação, abre os olhos espontaneamente e respira com auxílio de um aparelho conectado à traqueostomia. A alimentação é administrada por uma sonda no estômago.
Apesar da estabilidade clínica, o quadro neurológico continua grave.
Durante a internação, Pimentel enfrentou pneumonias, infecção urinária e infecção na corrente sanguínea provocadas por bactérias multirresistentes e fungos. Atualmente, está sem febre e não recebe antibióticos. Desde 7 de setembro, também não necessita de medicamentos para manter a pressão arterial.
Uma tomografia realizada em 2 de outubro indicou que a válvula cerebral funciona adequadamente e não há acúmulo anormal de líquido no cérebro.
Mesmo com a melhora de alguns indicadores clínicos, a permanência prolongada no hospital preocupa a equipe médica devido ao risco de novas infecções hospitalares.
Após ser baleado, Pimentel foi socorrido pelo helicóptero Águia, da Polícia Militar, e levado ao Hospital Estadual Mário Covas, onde passou por uma cirurgia de emergência.
O disparo atingiu o cerebelo, região do cérebro relacionada, entre outras funções, ao equilíbrio e à coordenação dos movimentos. Para aliviar a pressão provocada pelo inchaço cerebral, o neurocirurgião Celso Gomes Villafranca comandou uma operação para abrir parte do crânio do policial.
Durante o procedimento, que durou 2 horas e 55 minutos, os médicos também instalaram um dreno e um monitor de pressão intracraniana.
Após a cirurgia, o tenente permaneceu sedado e respirando com auxílio de aparelhos, em estado considerado gravíssimo.
Em 5 de julho, a neurocirurgiã Stephanie Borghi e sua equipe realizaram uma segunda intervenção para substituir o sistema de drenagem cerebral e ajustar o monitor de pressão intracraniana. O procedimento durou 35 minutos.
Na mesma fase da internação, os médicos precisaram tratar uma infecção pulmonar com antibióticos. O prontuário também registra o uso de medicamentos para sedação, controle da dor e prevenção de complicações neurológicas.
Quatro dias depois, em 9 de julho, Pimentel passou pela terceira cirurgia. Dessa vez, foi realizada uma traqueostomia, procedimento que consiste em criar uma abertura no pescoço para facilitar a respiração assistida.
A operação durou 50 minutos e não teve complicações registradas.
Somadas, as três cirurgias realizadas entre 27 de junho e 9 de julho duraram 4 horas e 20 minutos.
Pimentel foi atacado após sair de uma academia em São Caetano do Sul. A investigação aponta integrantes do PCC como responsáveis pela tentativa de assassinato, mas a motivação do crime ainda não foi esclarecida.
O atentado desencadeou operações da Rota que resultaram em ao menos sete mortes, segundo informações relacionadas às ações policiais realizadas após o ataque.
O caso também é acompanhado pela Justiça. Em setembro, documentos médicos foram encaminhados ao processo, detalhando a internação e os procedimentos realizados até 9 de julho.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) havia sido questionada sobre o estado de saúde do tenente, mas não se manifestou.
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