Polícia
por Andrezza Souza
Publicado em 18/10/2026, às 09h30
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, demonstrou interesse em comprar 20% do estádio do Palmeiras, então chamado Allianz Parque. A negociação foi discutida em conversas com Walfrido Warde, um de seus advogados, em agosto de 2024.
Os diálogos foram extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro e obtidos pela CNN Brasil. Na época, Warde também atuava como advogado da WTorre, construtora responsável pelo empreendimento.
Em 13 de agosto, Warde perguntou ao ex-banqueiro se ele gostaria de adquirir uma participação no estádio. Vorcaro respondeu positivamente e questionou quais seriam as condições.
O advogado afirmou que o empreendimento havia acabado de ser avaliado em R$ 1,7 bilhão. Na sequência, sugeriu a venda de uma participação de 20%, o equivalente a R$ 340 milhões.
“Eu topo, conheço os grandes números, só não sei como ficou a dívida”, respondeu Vorcaro, conforme as mensagens reproduzidas pela CNN Brasil.
Durante a troca de mensagens, Warde informou que a dívida estava com o BTG. Também afirmou que as pendências com o Palmeiras já haviam sido acordadas e seriam liquidadas até o fim daquele mês.
O advogado perguntou se poderia marcar uma reunião com a família proprietária da WTorre. Após receber uma resposta positiva, Vorcaro sugeriu que o encontro ocorresse na sexta-feira.
Investigadores da PF ouvidos sob reserva pela CNN Brasil afirmaram que a referência à família dizia respeito aos proprietários da construtora.
Os registros, porém, não indicam se a reunião chegou a acontecer. Cerca de 20 dias depois, Warde voltou a cobrar uma posição do ex-banqueiro sobre a proposta.
“WTorre me cobra uma posição tua? O que digo?”, escreveu o advogado. Vorcaro não respondeu imediatamente por mensagem. Depois, os dois conversaram por telefone durante três minutos e 36 segundos.
O material divulgado não esclarece o resultado das tratativas nem confirma a conclusão de qualquer negócio envolvendo a participação no estádio.
Procurada pela CNN Brasil, a defesa de Daniel Vorcaro preferiu não se manifestar. A reportagem também procurou a defesa de Walfrido Warde, mas não havia recebido resposta até a publicação. O espaço permanece aberto.
A assessoria do Palmeiras afirmou que o clube não tinha conhecimento do assunto. Também ressaltou que a gestão do estádio cabe à WTorre, responsável pela exploração comercial do espaço.
Segundo o clube, o Palmeiras recebe percentuais das receitas geradas por atividades como eventos e direitos de nome, conhecidos como naming rights. A equipe administra o local apenas nos dias de jogos.
O diálogo ocorreu em 2024, antes da divulgação das informações sobre a possível aquisição. As mensagens não confirmam que Vorcaro tenha comprado participação no estádio.
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