Política
Um novo dossiê elaborado por servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba, no interior paulista, aponta que funcionários teriam sido convocados para uma reunião com o objetivo de identificar e intimidar os responsáveis por denunciar a suposta encenação de um “buraco fake” utilizado em um vídeo do prefeito Rodrigo Manga.
O caso foi revelado inicialmente pelo g1 e deve ser encaminhado ao Ministério Público como complemento a outras denúncias já apresentadas.
Segundo o documento, um dos denunciantes, que participou da abertura do buraco, foi chamado para prestar esclarecimentos e estaria sob avaliação interna. O texto afirma que a pressão nesse contexto poderia condicionar sua permanência no cargo ao silêncio, caracterizando possível assédio moral.
O dossiê detalha que a ação teria ocorrido em 9 de abril, com a mobilização de 15 funcionários, sete veículos — incluindo caminhão-pipa e retroescavadeira — e duas empresas terceirizadas. A intervenção, que teria servido apenas como cenário para gravação de vídeo, teria custado ao menos R$ 19,7 mil aos cofres públicos.
Os servidores também relatam a abertura de ordens de serviço e registros de atendimento supostamente falsos para justificar a operação. Entre as irregularidades apontadas estão prevaricação, desvio de finalidade e possível improbidade administrativa.
Moradores da região do Jardim Leocádia afirmam que equipes permaneceram no local por horas aguardando a chegada do prefeito para a gravação. Um dos vizinhos disse ter estranhado tanto a rapidez da execução quanto a ausência de problemas aparentes na via antes da obra.
Outro ponto destacado no dossiê envolve riscos à saúde. O buraco, segundo os relatos, estaria ligado à rede de esgoto, o que poderia expor pessoas a contaminação biológica e gases tóxicos durante a gravação do vídeo.
A Prefeitura de Sorocaba informou que não comentaria as denúncias de assédio no momento, mas que prestará esclarecimentos ao Ministério Público se for acionada. A administração sustenta que a intervenção foi uma manutenção regular, com troca de peça danificada e recomposição do pavimento no mesmo dia.
O Ministério Público do Trabalho declarou que ainda não recebeu denúncia formal sobre assédio envolvendo o caso.
Já o Ministério Público do Estado de São Paulo informou que, até o momento, não há atualizações sobre o andamento das investigações.
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