Política
por Andrezza Souza
Publicado em 20/05/2026, às 22h53
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que amplia punições para crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes, especialmente aqueles praticados no ambiente digital.
A proposta altera trechos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), atualiza definições jurídicas e cria novos agravantes ligados ao uso de tecnologias, incluindo inteligência artificial e ferramentas de manipulação de imagem. O texto agora segue para análise do Senado.
A proposta promove mudanças em diferentes tipos de crime e amplia o alcance da legislação para situações que passaram a ganhar espaço nos últimos anos, principalmente no ambiente virtual.
Entre as alterações está a substituição de expressões ligadas à pedofilia por uma definição mais ampla de “violência sexual contra criança ou adolescente”, conceito que passa a considerar diferentes formas de representação, inclusive conteúdos digitais manipulados ou produzidos por inteligência artificial.
Segundo o novo entendimento aprovado, a caracterização da violência não dependerá apenas de contato físico ou nudez explícita. Fotografias, vídeos, montagens, imagens digitais e conteúdos produzidos por ferramentas tecnológicas também poderão ser enquadrados, dependendo do contexto e da finalidade do material.
O projeto aumenta punições para diversos crimes já previstos no ECA. Casos relacionados à posse, compartilhamento, divulgação e produção de material envolvendo violência sexual contra menores passam a ter penas mais severas.
As novas regras também ampliam punições para situações envolvendo plataformas digitais, fóruns, grupos virtuais e ambientes online usados para armazenar ou distribuir conteúdos ilegais. O texto cria agravantes específicos para compartilhamentos em múltiplas plataformas e uso de ferramentas para ocultação digital.
Outra mudança envolve conteúdos manipulados por inteligência artificial. O projeto passa a considerar crime a utilização de recursos tecnológicos para alterar voz, rosto ou imagem de crianças e adolescentes em conteúdos de natureza sexual. Ferramentas como deepfakes e tecnologias de manipulação digital entram entre os mecanismos citados no texto.
As alterações também atingem crimes de aliciamento pela internet. O texto amplia a proteção para menores de 14 anos e cria agravantes para casos em que criminosos utilizem perfis falsos, ocultem a própria identidade ou usem inteligência artificial para se passar por outras pessoas.
Aplicativos de mensagens, jogos online, redes sociais e salas virtuais aparecem entre os ambientes incluídos na proposta. O projeto também prevê aumento de pena quando houver promessa de vantagens ou utilização de relações de confiança para aproximar vítimas.
O debate ocorre em meio ao aumento de registros ligados a crimes digitais envolvendo menores. Dados citados durante a tramitação apontam crescimento nas denúncias de abuso e exploração sexual infantil na internet, além do avanço de conteúdos manipulados por inteligência artificial.
Segundo a relatora da proposta, a deputada Rogéria Santos, o objetivo é atualizar a legislação diante das transformações tecnológicas recentes.
Já o autor do projeto, o deputado Osmar Terra, afirmou durante os debates que a proposta busca fechar brechas utilizadas por criminosos para praticar crimes no ambiente digital.
Caso seja aprovado também pelo Senado, o texto seguirá para sanção presidencial.
Classificação Indicativa: Livre