Política
por Por Andrezza Souza e Gabriela Pessanha
Publicado em 20/05/2026, às 21h55 - Atualizado às 21h56
A mobilização de estudantes das universidades públicas paulistas entrou em uma nova fase na tarde desta quarta-feira (20). Após saírem do Largo da Batata, na Faria Lima, na Zona Oeste da capital, os manifestantes seguiram em caminhada em direção ao Palácio dos Bandeirantes, mas a marcha foi interrompida antes da chegada à sede do governo estadual.
Agora, os estudantes permanecem concentrados na Avenida Morumbi, em um ponto próximo ao Palácio, aguardando o retorno de uma comissão enviada para apresentar as reivindicações do movimento. Segundo informações obtidas pelo BNews São Paulo, até o momento não havia previsão para o encerramento do ato.
O grupo reúne alunos da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de estudantes de outras instituições e representantes de movimentos estudantis.
A expectativa inicial dos participantes era chegar até a frente do Palácio dos Bandeirantes, mas a movimentação encontrou um bloqueio antes do destino final.
"Você consegue ver o Palácio, mas eles claramente não estão na frente do Palácio", relatou uma fonte ao BNews São Paulo.
Segundo o relato, a possibilidade de avançar até a sede do governo é considerada remota neste momento.
"Provavelmente não vão avançar mais. A movimentação parou e a expectativa agora é esperar a comissão voltar ou algum retorno", afirmou a fonte.
Apesar do impasse, relatos apontam que a situação permaneceu tranquila durante toda a concentração.
De acordo com informações recebidas pelo BNews São Paulo, estudantes permaneceram sentados ao longo da avenida enquanto aguardavam novidades sobre as negociações. Em alguns momentos, músicas, palavras de ordem e cantos ligados ao movimento tomaram conta do ambiente.
"Está bem tranquilo, o pessoal está sentado, está todo mundo de boa, todo mundo comendo. Não está uma manifestação agressiva", afirmou a fonte ouvida pela reportagem.
O relato aponta ainda que os grupos permaneceram separados, sem registros de confronto.
"A polícia está parada numa ponta, o pessoal ficou do outro lado, todo mundo parado", acrescentou.
Em entrevista ao BNews São Paulo, Ana Paula, estudante da USP, afirmou que o ato foi organizado desde o início com o objetivo de levar as reivindicações diretamente ao governo estadual.
"A gente começou o nosso ato ali no Largo da Batata até aqui na frente do Palácio", afirmou.
Segundo ela, a recepção encontrada durante o percurso gerou incômodo entre os manifestantes.
"A gente foi recebido com o choque da polícia armado aqui na frente, em resposta à movimentação estudantil", declarou.
Na avaliação da estudante, a presença constante de agentes acompanhando a caminhada foi interpretada pelos participantes como uma tentativa de pressionar o movimento.
"Desde o início do nosso ato, a gente tem sido acompanhado pela polícia, tudo isso para intimidar o que é a nossa mobilização", disse.
Mesmo diante do cenário, ela afirmou que os estudantes permanecerão no local até a chegada de um posicionamento.
"Agora a gente está aqui esperando a comissão que entrou no Palácio para apresentar as nossas pautas", afirmou.
Ana Paula também destacou que, segundo ela, a mobilização continuará.
"A gente vai seguir aqui firme e forte para fazer com que as nossas pautas sejam ouvidas", declarou.
As cobranças apresentadas pelos manifestantes vão além das pautas das universidades estaduais tradicionais e também envolvem estudantes de outras instituições.
Em entrevista ao BNews São Paulo, Richard, estudante da Fatec, afirmou que questões relacionadas à permanência estudantil estão entre as principais reivindicações.
"Nós somos a única universidade estadual de São Paulo que ainda não tem bandejão e ainda não tem auxílio permanência", afirmou.
Segundo ele, a discussão também envolve problemas estruturais enfrentados nas unidades.
"O dossiê que nós enviamos mostra ar-condicionados abandonados nos corredores, funcionários terceirizados há seis meses sem salário", declarou.
Richard também afirmou que os estudantes tentam manter a manifestação em tom pacífico.
"A gente acabou tentando fazer uma manifestação pacífica", disse.
As mobilizações desta quarta-feira acontecem em meio à greve estudantil que atinge universidades públicas paulistas e se aproxima de um mês sem acordo. O movimento ganhou força após cobranças por mudanças relacionadas à permanência estudantil, infraestrutura e financiamento das instituições.
Entre as principais pautas defendidas pelos alunos estão aumento do auxílio permanência, ampliação da moradia estudantil, melhorias nos bandejões, investimentos em saúde, infraestrutura e segurança dentro dos campi.
Nas últimas semanas, a mobilização também ganhou novos capítulos após a repercussão da retirada de estudantes que ocupavam a Reitoria da USP. O episódio ampliou tensões entre estudantes, universidades e governo estadual.
Sem avanço nas negociações até o momento, os estudantes afirmam que novas manifestações podem ocorrer nos próximos dias enquanto aguardam respostas para as reivindicações apresentadas.
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