Política
A poucos dias do Carnaval, moradores de bairros tradicionais da capital paulista voltaram a questionar o impacto dos megablocos nas regiões residenciais. Após episódios de superlotação no pré-Carnaval, lideranças comunitárias afirmam que algumas áreas já operam no limite da capacidade e pedem revisão técnica dos trajetos e locais escolhidos para grandes desfiles.
No último fim de semana, 182 blocos circularam pela cidade. Na Consolação, o evento comandado pelo DJ Calvin Harris exigiu a ativação de um plano de contingência por excesso de público, como citado pelo UOL.
Já no entorno do Parque Ibirapuera, o bloco de Ivete Sangalo reuniu cerca de 1,2 milhão de pessoas, segundo a Polícia Militar, e precisou interromper a apresentação temporariamente.
No Jardim Lusitânia, vizinho ao Ibirapuera, moradores relatam aumento intenso no fluxo de foliões cruzando ruas estreitas para acessar os blocos. A associação local afirma que a região não foi planejada para receber multidões dessa dimensão e teme dificuldades em situações de emergência.
Em Pinheiros, onde estão previstos mais de 70 eventos ao longo do período carnavalesco, a concentração de desfiles em datas próximas também gera apreensão.
No Alto de Pinheiros, representantes dizem que o bairro tem perfil predominantemente residencial e não possui tradição de grandes blocos. A principal preocupação envolve barulho prolongado, interdições e impacto na circulação.
Na Vila Madalena, tradicional reduto da folia, moradores afirmam que o problema não é a festa em si, mas o modelo atual. Excesso de público, bloqueio de acessos e sobrecarga nos serviços urbanos estão entre as queixas mais recorrentes.
A administração municipal avalia que o pré-Carnaval ocorreu dentro do esperado e afirma que os protocolos funcionaram. Para os próximos dias, estão previstos 6.400 agentes da Guarda Civil Metropolitana, além do monitoramento por 482 câmeras e 23 drones.
No entorno do Ibirapuera, duas novas rotas de dispersão foram anunciadas para reduzir aglomerações, além do reforço em postos de saúde, com 960 profissionais.
A prefeitura também informou que agentes municipais atuarão próximos aos trios elétricos para auxiliar na organização e evitar interrupções nos desfiles.
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