Política
por Andrezza Souza
Publicado em 07/08/2026, às 19h20
O número de casos confirmados de sarampo no estado de São Paulo subiu de 16 para 23 em apenas quatro dias. As novas confirmações foram divulgadas nesta sexta-feira (7) pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), que também anunciou o envio de novas remessas da vacina tríplice viral para municípios com maior demanda. As informações foram divulgadas inicialmente pelo g1.
Segundo a pasta, sete novos casos foram registrados na capital paulista desde a última segunda-feira (3). Ao todo, dos 23 casos confirmados no estado, dois são considerados importados e os demais estão relacionados à importação do vírus, embora a origem da cadeia de transmissão ainda não tenha sido identificada.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, 14 pacientes não possuíam histórico de vacinação ou estavam com o esquema vacinal incompleto.
Após relatos de falta de doses em unidades de saúde da capital durante a campanha de multivacinação, o governo estadual informou que enviou, na quinta-feira (6), 150 mil doses da vacina tríplice viral para a cidade de São Paulo e 80 mil doses para São Bernardo do Campo.
A vacina protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Segundo a SES-SP, cabe aos municípios organizar o armazenamento e o remanejamento das doses entre as unidades de saúde para atender à população.
Como estratégia para conter o avanço da doença, a Secretaria de Estado da Saúde recomenda que todos os moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo com idade entre 6 meses e 59 anos procurem uma unidade de saúde para receber a vacina contra o sarampo, independentemente da situação vacinal anterior.
Nos demais 642 municípios paulistas, a campanha de multivacinação segue voltada principalmente para crianças e adolescentes de até 15 anos.
Além da tríplice viral, a campanha disponibiliza todos os imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação, incluindo vacinas contra poliomielite, hepatites, influenza, Covid-19, HPV, febre amarela e meningites.
A cobertura da vacina contra o sarampo permanece abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Em 2026, a primeira dose alcançou 77,5% de cobertura, enquanto a segunda chegou a 65,5%. No ano passado, os índices eram de 94% e 84,4%, respectivamente.
Segundo a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP), Tatiana Lang, ampliar a vacinação é a principal estratégia para interromper a circulação do vírus.
Conforme informou o Ministério da Saúde, São Paulo é atualmente o único estado brasileiro com um surto ativo de sarampo, caracterizado pela existência de uma cadeia de transmissão do vírus.
A diretora do CVE-SP afirmou que o sequenciamento genético indica que os casos estão relacionados à importação do vírus, mas ressaltou que a origem da transmissão ainda não foi identificada.
O Brasil recuperou, em 2024, o certificado de eliminação do sarampo concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), após perder o reconhecimento em 2019, quando registrou cerca de 18 mil casos da doença. O aumento recente das confirmações em São Paulo, no entanto, voltou a colocar as autoridades de saúde em alerta e reforçou o chamado para que a população mantenha a vacinação em dia.
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