Política
A presença de usuários de drogas em ruas, praças e calçadas de diferentes regiões de São Paulo tem gerado preocupação entre moradores e comerciantes. Além da sensação de insegurança, há relatos de abordagens frequentes a pedestres, acúmulo de lixo e redução da circulação de pessoas em áreas comerciais.
Quem convive diariamente com a situação afirma que o problema vai além da segurança pública e impacta diretamente a rotina dos bairros. Comerciantes relatam perda de clientes e defendem que ações de fiscalização sejam acompanhadas por políticas de acolhimento e tratamento para dependentes químicos.
Paulo Mendes, de 52 anos, é comerciante e diz que tem observado um aumento da presença de pessoas consumindo drogas nas proximidades do estabelecimento onde trabalha.
"Nos últimos meses, tenho percebido um aumento no número de pessoas consumindo drogas na calçada e na praça próxima ao meu comércio. Isso acaba afastando alguns clientes, principalmente famílias e idosos, que dizem não se sentir seguros para passar pela região", afirma.
Segundo ele, o impacto também é percebido no funcionamento do comércio. "Além do consumo de drogas, muitas vezes fica lixo espalhado e já aconteceram abordagens insistentes a quem estava entrando na loja para pedir dinheiro. Nem sempre há confusão, mas a sensação de insegurança existe e preocupa quem trabalha aqui todos os dias."
A percepção de insegurança faz com que parte da população evite permanecer por muito tempo em determinadas áreas da cidade, principalmente em locais de grande circulação de pessoas.
O receio de abordagens e a degradação de espaços públicos também influenciam o movimento do comércio e a forma como moradores utilizam praças e calçadas.
Para Paulo, a solução passa por ações que combinem segurança e assistência social.
"Acho que é importante reforçar a segurança, mas também oferecer atendimento para quem vive essa situação de dependência. Só retirar essas pessoas de um lugar não resolve o problema. É preciso ter acompanhamento e políticas que ajudem na recuperação delas, ao mesmo tempo em que a população possa voltar a ocupar esses espaços com tranquilidade."
Em nota enviada ao BNews São Paulo, a Prefeitura informou que mantém um trabalho contínuo de tratamento e acolhimento para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade, aliado a ações de zeladoria e segurança voltadas ao combate ao tráfico de drogas e outros crimes.
Segundo a administração municipal, um dos principais marcos desse trabalho foi a extinção da antiga Cena Aberta de Uso. No local onde funcionava a antiga Cracolândia, foi inaugurada nesta semana a Praça do Triunfo, que reúne equipamentos de lazer, jardins e quadra poliesportiva, além da previsão de um empreendimento residencial.
A Prefeitura informou ainda que as equipes da Saúde e da Assistência Social realizam abordagens em todas as regiões da cidade, buscando oferecer tratamento e acolhimento às pessoas em situação de vulnerabilidade.
De acordo com a administração municipal, o atendimento é realizado pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que reúne Centros de Atenção Psicossocial (Caps), equipes do Consultório na Rua e Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Desde 2021, o programa Consultório na Rua passou de 19 para 40 equipes. Entre 2024 e 2025, o número de atendimentos realizados nos Caps aumentou 11%, passando de 1.724.112 para 1.925.268.
Somente entre janeiro e maio deste ano, foram realizados mais de 795 mil atendimentos nos Caps em todo o município, sendo quase 70 mil nos Caps Álcool e Drogas da região central.
A Prefeitura também destacou que ampliou em cerca de 80% o número de vagas de acolhimento noturno desde 2020, passando de 15 mil para mais de 27 mil vagas distribuídas em 374 serviços.
Segundo o município, programas de reinserção social, como o POT Redenção, já atenderam mais de 7 mil pessoas desde a desmobilização da antiga Cracolândia.
Na área da segurança, a Prefeitura informou que a Guarda Civil Metropolitana realiza patrulhamento ostensivo 24 horas por dia, com reforço em áreas consideradas mais vulneráveis.
A administração municipal afirma que o trabalho é apoiado por cerca de 50 mil câmeras inteligentes do programa Smart Sampa e pelo sistema SmartCop, além de operações integradas com as forças estaduais de segurança.
Segundo a gestão municipal, as ações de segurança, assistência social e saúde são realizadas de forma conjunta, buscando combater o tráfico de drogas, ampliar o atendimento à população vulnerável e reduzir os impactos para moradores e comerciantes.
Enquanto o poder público destaca investimentos em acolhimento, monitoramento e patrulhamento, comerciantes afirmam que os efeitos da presença constante de usuários de drogas continuam sendo sentidos no dia a dia e defendem soluções que conciliem segurança, tratamento e recuperação para pessoas em situação de dependência.
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