Política

CPI do Crime Organizado termina e muda cenário do Caso Master no Congresso

Foto: Reprodução/Banco Master
Com o fim da CPI, parlamentares não avançam em investigações sobre o Banco Master, levantando preocupações sobre a apuração.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Banco Master
Fernanda Montanha

por Fernanda Montanha

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Publicado em 14/04/2026, às 08h43



O encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado marca a perda de uma das principais frentes de apuração sobre o caso do Banco Master no Congresso Nacional.

A última sessão do colegiado está prevista para esta terça-feira (14). Com o fim dos trabalhos, parlamentares deixam de avançar em uma investigação mais ampla sobre suspeitas envolvendo o banco.

O relatório final será apresentado pelo senador Alessandro Vieira, após a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de não prorrogar o prazo da CPI. Outras comissões também tiveram solicitações de extensão negadas ao longo do processo.

A justificativa apresentada foi o risco de politização e exposição excessiva do tema em ano eleitoral, segundo o Metrópoles.

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Foto: Reprodução/Banco Master

Banco Master no centro das investigações

O banco ganhou destaque após a prisão de Daniel Vorcaro e a liquidação decretada pelo Banco Central, em meio a suspeitas de fraudes de grande escala.

Também surgiram menções a possíveis ligações com autoridades do Judiciário, ampliando a repercussão do caso. As investigações passaram a envolver múltiplas frentes e diferentes órgãos de controle.

Mesmo com convocações aprovadas, os principais investigados não foram ouvidos pelos parlamentares. Em alguns casos, decisões do Supremo Tribunal Federal garantiram o direito de não comparecimento. O argumento utilizado foi o princípio da não autoincriminação, que protege investigados de depor contra si mesmos.

Relatórios, indiciamentos e atuação limitada

Apesar das dificuldades, relatórios finais de comissões passaram a incluir nomes ligados ao caso em listas de indiciamento. O mesmo deve ocorrer na CPI do Crime, que teve mais tempo de análise e acesso a documentos. Mesmo com limitações, os parlamentares buscaram consolidar conclusões formais sobre o caso.

Paralelamente, o Senado mantém um grupo de trabalho na Comissão de Assuntos Econômicos liderado por Renan Calheiros. O colegiado, porém, não possui poder de investigação equivalente ao de uma CPI. O grupo atua com caráter mais técnico e menor exposição pública em comparação às comissões de inquérito.

Auditorias, TCU e impasses institucionais

Um dos desdobramentos recentes envolve auditoria do Tribunal de Contas da União sobre a tentativa de compra do banco pelo BRB. O relatório apontou indícios de irregularidades na atuação de gestores públicos do Distrito Federal.

A análise também identificou sinais de possível improbidade administrativa em negociações envolvendo o Banco Regional de Brasília.

Após a divulgação, o ministro relator no TCU suspendeu o andamento do processo, sem previsão de julgamento no plenário. Ao mesmo tempo, avançam negociações para uma delação premiada de Daniel Vorcaro, que pode influenciar outras investigações.

A defesa tenta acelerar o acordo em meio a discussões sobre possíveis mudanças nas regras de delações no Supremo Tribunal Federal.

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