Política

Eleições 2026: nenhum dos cinco deputados federais mais votados de SP tem mais de 40 anos

Câmara dos Deputados, em Brasília-DF
Lucas Pavanato liderou a votação e estabeleceu o maior número de votos já registrado entre os deputados federais no estado, atingindo os 3 milhões  |   BNews SP - Divulgação Câmara dos Deputados, em Brasília-DF - Foto: Reprodução
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 05/10/2026, às 11h31



A eleição para a Câmara dos Deputados em São Paulo teve uma renovação geracional entre os candidatos mais votados. Dos 70 deputados eleitos pelo estado, os cinco que obtiveram maior votação têm menos de 40 anos.

O primeiro lugar ficou com Lucas Pavanato (PL), de 28 anos, que recebeu mais de 3 milhões de votos, o equivalente a 12,82% dos votos válidos. Na sequência aparece Erika Hilton (PSOL), de 33 anos, com quase 1,6 milhão de votos, ou 6,74%.

Os dois candidatos, que representam campos políticos opostos, foram os principais destaques da disputa proporcional no maior colégio eleitoral do país.

Cinco mais votados têm menos de 40 anos

Além de Pavanato e Erika Hilton, o grupo dos cinco deputados federais mais votados em São Paulo é formado por Sâmia Bomfim (PSOL), de 37 anos; Kim Kataguiri (Missão), de 30; e Tabata Amaral (PSB), de 32.

Sâmia recebeu mais de 583 mil votos, enquanto Kim ficou próximo dos 520 mil. Tabata foi escolhida por aproximadamente 476 mil eleitores.

O resultado indica uma mudança geracional entre os candidatos que conseguiram concentrar mais votos na disputa pela Câmara, embora a composição final da bancada também tenha sido marcada pela manutenção de nomes que já ocupavam cadeiras no Congresso.

Pavanato assume liderança do PL

Ligado inicialmente à articulação do Movimento Brasil Livre (MBL), Lucas Pavanato também foi chefe de gabinete do vereador Fernando Holiday.

Durante a campanha, o deputado apostou em pautas conservadoras e propostas relacionadas à segurança pública, incluindo a defesa da redução da maioridade penal.

A votação expressiva ajudou o PL a preencher o espaço deixado por nomes que tiveram destaque nas eleições anteriores, mas não disputaram novamente uma vaga de deputado federal neste ano, como Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli.

PSOL concentra votos e perde cadeiras

No campo progressista, Erika Hilton foi o principal destaque do PSOL e concentrou uma parcela significativa dos votos do eleitorado do partido, segundo o jornal O Globo.

No entanto, a legenda terminou a eleição com uma bancada menor. Apesar do desempenho de Erika e Sâmia Bomfim, o PSOL perdeu pelo menos cinco cadeiras e ficou com seis deputados eleitos.

Também foram eleitos pelo partido Guilherme Cortez, Professora Luciene Cavalcante, Natália Boulos e Sônia Guajajara.

O partido precisou reorganizar sua estratégia depois que Guilherme Boulos, deputado mais votado de São Paulo em 2022, decidiu não disputar a reeleição para concentrar sua atuação junto aos movimentos sociais.

Sistema proporcional favorece manutenção de mandatos

Apesar da renovação entre os mais votados, a disputa pelas 70 cadeiras de São Paulo também foi marcada pela tentativa de manutenção das bancadas já existentes.

Dos deputados federais que estavam no exercício do mandato, 62 disputaram a reeleição, o equivalente a mais de 88% da bancada paulista.

No PL, 16 deputados buscaram renovar seus mandatos. A legenda precisou reorganizar sua estratégia depois da saída, cassação ou mudança partidária de nomes que haviam obtido destaque na eleição anterior.

O PT também entrou na disputa tentando recuperar espaço na bancada paulista. O partido chegou a eleger 18 deputados em 2002, mas viu sua representação diminuir ao longo dos anos.

PT elege 11 deputados em São Paulo

Na eleição deste ano, o PT conquistou 11 cadeiras na Câmara por São Paulo.

A legenda combinou nomes tradicionais da política com candidatos de diferentes perfis. Entre os principais nomes eleitos estão Luna Zarattini, Alencar Santana, Jilmar Tatto, Thiago dos Reis, Arlindo Chinaglia, Carlos Zarattini, Nilto Tatto, Kiko Celeguim e Juliana Cardoso.

O ex-ministro José Dirceu e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, estavam entre as apostas do partido, mas não conseguiram se eleger.

Outros três petistas — Rui Falcão, Paulo Teixeira e João Paulo Cunha — ainda disputam a última vaga em uma definição que depende da distribuição final das cadeiras pelo sistema proporcional.

Classificação Indicativa: Livre

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