Política

Erosão pode criar nova ilha no litoral sul de São Paulo; entenda

Foto: Defensoria Pública do Estado de São Paulo
Fenômeno no Estreito do Melão pode isolar parte da Ilha do Cardoso e alterar mapa da divisa entre São Paulo e Paraná  |   BNews SP - Divulgação Foto: Defensoria Pública do Estado de São Paulo
Érica Sena

por Érica Sena

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Publicado em 13/02/2026, às 11h24



Uma nova ilha pode surgir no litoral sul paulista nas próximas décadas, não por formação em mar aberto, mas pelo isolamento de um trecho já existente da Ilha do Cardoso. O processo ocorre no Estreito do Melão, em Cananéia, onde a erosão avança sobre uma restinga que separa o oceano do Canal do Ararapira.

Segundo pesquisadores que acompanham a área há mais de duas décadas, o rompimento da faixa de areia é considerado inevitável devido à própria dinâmica natural do estuário. A estimativa científica indica que a abertura de uma nova conexão com o oceano pode ocorrer entre 2032 e 2034, como citado pelo site da UOL.

Como a erosão está redesenhando o litoral

A faixa de areia no Estreito do Melão já teve cerca de 100 metros de largura. Hoje, em alguns pontos, mede aproximadamente 20 metros. O desgaste acontece porque a corrente do canal atua como um rio sinuoso, corroendo uma das margens com mais intensidade e removendo sedimentos ao longo do tempo.

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Foto: Reprodução/Google Earth

Em 2018, um episódio semelhante ocorreu na região da Enseada da Baleia, após uma forte ressaca abrir uma nova ligação com o mar. A mudança alterou o regime das correntes e acelerou a erosão em áreas ao norte, contribuindo para o cenário atual.

Caso o novo rompimento se confirme, um trecho de cerca de seis quilômetros ao sul do estreito ficará cercado por água, formando uma nova ilha a partir da atual configuração territorial.

Impactos ambientais e sociais

O Canal do Ararapira marca a divisa natural entre São Paulo e Paraná, separando a Ilha do Cardoso da Ilha do Superagui e integrando o Mosaico Lagamar — uma das áreas ambientalmente mais sensíveis do país.

A abertura de uma nova barra deve modificar a circulação das águas no estuário. Com o oceano passando a se conectar diretamente ao canal no Estreito do Melão, a tendência é que a barra atual perca força gradualmente e sofra assoreamento, alterando rotas de navegação.

Além das mudanças ambientais, o fenômeno pode impactar manguezais, biodiversidade e comunidades caiçaras da região. Parte dos moradores já enfrenta dificuldades de deslocamento por terra após a formação de um canal de aproximadamente 170 metros de largura e três metros de profundidade.

O Ministério Público acompanha o caso e cobra providências do poder público diante dos possíveis impactos socioambientais.

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