Política
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, avalia incluir no plano de governo a defesa do fim da reeleição para cargos do Executivo.
A informação foi divulgada pelo blog do Gustavo Uribe na CNN Brasil e integra uma estratégia mais ampla de reposicionamento político para a disputa eleitoral.
A proposta em análise prevê sinalizar disposição para discutir o tema com o Congresso Nacional caso seja eleito. Hoje, a legislação permite uma recondução consecutiva ao cargo.
No ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou um texto que extingue a reeleição e estabelece mandato único de cinco anos para presidente, governadores e prefeitos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já se manifestou contrário à proposta, mesmo sem previsão de aplicação imediata. A discussão também deve aparecer na campanha de outro presidenciável: o candidato do PSD, partido cujo presidente nacional, Gilberto Kassab, defende publicamente o fim da reeleição.
Ao acenar com o tema, Flávio busca se apresentar como aberto ao diálogo institucional, afastando a ideia de embate direto e propondo uma agenda de negociação com o Legislativo.
A movimentação não se limita ao debate eleitoral. O senador também procura um economista de perfil liberal, com trânsito na Faria Lima, para fortalecer a formulação de propostas econômicas. O objetivo é ampliar a credibilidade junto ao mercado financeiro e consolidar um discurso técnico na área fiscal.
Paralelamente, o PL tem incentivado o pré-candidato a formular políticas voltadas a mulheres e pautas de diversidade e inclusão. A avaliação interna é que há espaço para conquistar eleitores que demonstram resistência ao discurso mais conservador associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A estratégia desenhada tenta equilibrar herança política e pragmatismo. A leitura é que Flávio deve se apresentar como sucessor natural do bolsonarismo, mas com postura menos ideológica e mais aberta a concessões.
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