Política
Uma estrutura com 120 metros de comprimento, 380 pneus e mais de 850 toneladas de peso bruto total chamou a atenção de motoristas ao provocar interdições temporárias na Rodovia Presidente Dutra, em São Paulo.
A operação transportou um transformador de 540 toneladas fabricado em Guarulhos até o Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro. De lá, o equipamento seguirá para a Arábia Saudita, onde integrará o projeto NEOM, que prevê a construção de uma cidade movida a energia renovável.
O frete rodoviário custou cerca de R$ 2 milhões e envolveu meses de planejamento técnico, estudos estruturais e autorizações especiais. O transformador é o quarto de uma encomenda de 14 unidades destinadas ao megaprojeto saudita.
Segundo o gerente de logística responsável pela operação, a potência combinada dessas unidades seria suficiente para abastecer duas cidades do porte de São Paulo, como citado pelo G1.
A supercarreta não pertence a uma única empresa. O conjunto é formado por módulos de transportadoras especializadas, montados conforme a necessidade de cada projeto. Eixos, vigas e rodas são armazenados separadamente e só são acoplados quando a operação começa.
Para viabilizar o deslocamento, foram utilizados quatro caminhões conectados, escolhidos de acordo com a Capacidade Máxima de Tração. A composição ainda contou com veículos de apoio e caminhões-reserva. O objetivo é distribuir o peso ao longo da estrutura e permitir a travessia segura por pontes e viadutos.
Antes de sair da fábrica, a operação precisou obter Autorização Especial de Trânsito junto ao DNIT. A Polícia Rodoviária Federal e a concessionária responsável pela via também participaram do planejamento. Os bloqueios ocorreram, em geral, durante a noite ou madrugada, para reduzir impactos no tráfego.
No Porto de Itaguaí, a superestrutura foi desmontada, já que o conjunto completo não consegue acessar determinadas áreas do terminal. O embarque exige sistema de compensação de lastro no navio para evitar desequilíbrio durante o içamento da carga.
Após a travessia marítima, a logística será repetida em solo saudita. Ainda faltam 11 transformadores para serem enviados. A operação reforça a capacidade industrial brasileira em projetos de grande porte, mas também expõe os desafios logísticos de cumprir prazos internacionais em cargas de dimensões extremas.
Classificação Indicativa: Livre