Política

Governo reacende discussão sobre ‘taxa das blusinhas’; veja o que muda

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Entre janeiro e março de 2026, arrecadação com imposto de importação atinge R$ 1,28 bilhão, superando o ano anterior.  |   BNews SP - Divulgação Reprodução/Freepik
Fernanda Montanha

por Fernanda Montanha

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Publicado em 17/04/2026, às 09h11



Entre janeiro e março deste ano, o governo federal arrecadou R$ 1,28 bilhão com o imposto de importação aplicado a compras internacionais, conhecido como “taxa das blusinhas”.

Na comparação com o mesmo período de 2025, quando o valor foi de R$ 1,05 bilhão, o crescimento registrado foi de 21,8%, segundo dados da Receita Federal, indicando avanço relevante na coleta desse tributo, conta o G1.

A medida, no entanto, gera efeitos distintos. Enquanto contribui para elevar a receita da União, também provoca impactos negativos em outros setores. Nesse cenário, a cobrança tem sido associada a prejuízos para os Correios e a preocupações dentro do próprio governo, especialmente no campo político.

Aprovação e mudanças

A taxação de compras internacionais de até US$ 50 foi aprovada pelo Congresso em junho de 2024, após negociações e ajustes no texto. Antes disso, essas encomendas eram isentas de imposto, o que gerava críticas da indústria nacional.

O argumento central para a criação da taxa foi equilibrar a concorrência com produtos estrangeiros, sobretudo diante de subsídios em outros países.

Apesar de inicialmente classificar a medida como inadequada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a proposta. À época, integrantes da equipe econômica defenderam que o impacto ao consumidor seria limitado, mesmo com a nova cobrança sobre compras online.

Debate sobre possível revogação

Com a proximidade das eleições, o tema voltou ao centro das discussões em Brasília. Integrantes da ala política do governo passaram a considerar a possibilidade de rever a medida. Nesse contexto, há divergências internas sobre a manutenção ou não do imposto, com diferentes áreas do governo adotando posições distintas.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que vê com bons olhos a revogação, caso seja consultado. Em contrapartida, os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio defendem a permanência da cobrança.

Reação do setor produtivo

Representantes da indústria também se manifestaram contra o eventual fim da taxa. Um grupo formado por 67 associações encaminhou um documento ao governo em defesa da medida.

Segundo o setor, a tributação busca garantir condições mais justas de competição no mercado, especialmente frente a produtos importados subsidiados.

A discussão segue aberta, envolvendo interesses fiscais, industriais e políticos, sem definição final até o momento.

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