Política
Histórias marcadas por dor, medo e isolamento começam a ganhar novos capítulos em São Paulo. Mulheres vítimas de violência doméstica têm encontrado, em abrigos sigilosos e programas de capacitação, a chance de reconstruir a própria trajetória longe dos agressores.
A iniciativa integra o movimento SP Por Todas, que completa dois anos com ações voltadas à proteção e à autonomia feminina. As informações são da Agência SP.
Os abrigos funcionam em endereços confidenciais e acolhem mulheres sob risco iminente, junto de seus filhos menores de idade. Além de segurança, oferecem alimentação, atendimento psicológico, suporte de saúde e orientação profissional, elementos essenciais para interromper o ciclo de violência e promover independência.
A virada de vida, no entanto, começa com uma decisão difícil: romper o silêncio. Foi o que fez J., de 35 anos, após viver um relacionamento marcado por controle extremo, humilhações e agressões. Impedida de trabalhar e até de cuidar da própria saúde, ela relata ter chegado ao limite após sofrer violência física.
Ao buscar ajuda, encontrou acolhimento em um abrigo, onde iniciou tratamento psicológico e passou a vislumbrar novas possibilidades. “Agora eu sou outra pessoa, com vontade de viver”, afirma. Ao lado da filha adolescente, também acolhida, J. deu início a um processo de reconstrução pessoal e emocional.
Outro exemplo é o de L., de 48 anos, que enfrentou oito anos de agressões e dependência química induzida pelo ex-companheiro. Após um episódio de violência severa, ela conseguiu escapar e, depois de dias em situação de rua, foi encaminhada a um centro de assistência e, posteriormente, ao abrigo.
No local, iniciou tratamento de saúde, superou o vício e recuperou a autoestima. A retomada da dignidade veio acompanhada de uma nova perspectiva profissional: cursos de corte e costura oferecidos pelo programa Caminho da Capacitação.
A qualificação profissional tem sido peça-chave no processo de recomeço. Nos cursos, mulheres aprendem técnicas que possibilitam geração de renda e independência financeira, fator determinante para evitar o retorno a relações abusivas.
Entre 2023 e 2025, o número de abrigos no estado cresceu quase 60%, chegando a 46 unidades com capacidade para atender até 1.300 pessoas. A expansão reflete a tentativa de ampliar o alcance da rede de proteção e oferecer respostas mais eficazes às vítimas.
Além dos abrigos, o estado disponibiliza canais de denúncia e orientação, como o Disque 180 e o aplicativo SP Mulher Segura, que permite acionar a polícia e registrar ocorrências. Também há delegacias especializadas e atendimento 24 horas em diversas cidades.
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