Política

Lula diz que vai comprar dívidas “por um preço de banana”

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Presidente Lula apresentou nova etapa do Desenrola, estimou débitos em R$ 300 bilhões e citou proposta de apoio financeiro para quem regularizar  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 19/10/2026, às 21h11



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o governo pretende comprar dívidas de instituições financeiras para facilitar a renegociação dos débitos dos brasileiros. Em entrevista ao SBT nesta segunda-feira (19), ele disse que a nova etapa do Desenrola busca alcançar pessoas que não conseguiram resolver a situação nas fases anteriores do programa.

Segundo Lula, o governo trabalha com uma estimativa de R$ 300 bilhões em dívidas. A proposta prevê a realização de um leilão no sistema financeiro para adquirir esses débitos com descontos elevados.

“Pode ter uns 92, 93, até 95% de deságio”, afirmou o presidente ao explicar a expectativa de redução dos valores negociados. Ele acrescentou que a intenção é comprar as dívidas por um preço muito menor para permitir que os devedores regularizem a situação.

“Pode comprar essa dívida por um preço de banana”, declarou.

Presidente reconhece limites das etapas anteriores

Durante a entrevista, Lula foi questionado sobre as críticas de adversários ao Desenrola. O presidente defendeu os resultados das fases anteriores, mas reconheceu que elas não atenderam a toda a demanda.

Segundo ele, o primeiro programa ajudou quase 15 milhões de pessoas. Ainda assim, parte dos brasileiros permaneceu endividada.

Lula afirmou que uma das dificuldades estava na necessidade de os interessados procurarem os bancos para negociar os débitos. A nova proposta, segundo ele, pretende mudar esse procedimento por meio da compra das dívidas pelas quais as instituições financeiras têm créditos a receber.

O presidente também mencionou a possibilidade de oferecer até R$ 5 mil para quem regularizar os débitos, com o objetivo de ajudar essas pessoas a recomeçar a vida financeira.

Governo defende perdão de dívidas de MEIs

Outro tema abordado foi a situação dos microempreendedores individuais (MEIs). Lula afirmou que o Congresso Nacional aprovou uma medida para perdoar débitos de quase quatro milhões de profissionais inscritos na dívida ativa.

Segundo o presidente, as dívidas somam aproximadamente R$ 15 bilhões. Ele argumentou que parte desses valores dificilmente seria recuperada e que a regularização pode permitir que os empreendedores continuem trabalhando.

Lula também mencionou uma proposta de ampliação do limite de faturamento do MEI, com previsão de novos valores nos próximos anos, além da possibilidade de contratar até dois empregados.

Lula rebate questionamentos fiscais

Questionado sobre o impacto das medidas nas contas públicas, o presidente negou que as propostas representem uma ameaça fiscal. Ele afirmou que as iniciativas estão sendo planejadas dentro das possibilidades do orçamento.

Lula também justificou a recomposição do Bolsa Família pela inflação e disse que o governo identificou espaço fiscal para realizar o ajuste.

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