Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 18/08/2026, às 13h16
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devem se reunir nesta terça-feira (18) para discutir o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026 e definir um entendimento sobre as regras para conteúdos produzidos com a tecnologia, especialmente os chamados deepfakes.
A reunião ocorre em meio à ação que questiona o uso de um avatar de Jair Bolsonaro pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
A expectativa é que os ministros avancem na definição de limites para o uso da tecnologia por candidatos e das possíveis punições em caso de irregularidades.
Atualmente, há duas posições principais entre os integrantes da Corte. Uma delas defende a proibição total do uso de deepfakes nas campanhas. A outra considera que a restrição deveria atingir apenas conteúdos que apresentem desinformação comprovada.
Deepfake é uma tecnologia capaz de criar ou manipular vídeos, áudios e imagens de pessoas reais de maneira realista, fazendo com que elas pareçam ter dito ou feito algo que não ocorreu.
Segundo o portal Metrópoles, os ministros favoráveis à proibição ampla argumentam que os impactos de conteúdos sintéticos sobre o eleitorado são difíceis de prever e podem comprometer o processo eleitoral.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, convocou a reunião para tentar construir um entendimento comum sobre o tema.
O objetivo é estabelecer parâmetros que possam ser utilizados em processos envolvendo inteligência artificial durante a campanha.
Nunes Marques também deverá definir a data do julgamento da ação que envolve o avatar de Jair Bolsonaro. O processo é relatado pela ministra Estela Aranha.
O caso que provocou a discussão no TSE envolve um vídeo exibido durante a convenção do PL, em 25 de julho.
Na gravação, uma representação gerada por inteligência artificial de Jair Bolsonaro afirma que ele está “preso e calado por uma decisão arbitrária” e declara que nenhuma prisão seria capaz de calar o sentimento de esperança.
O material também pede que apoiadores recebam Flávio Bolsonaro “de braços abertos” como candidato à Presidência da República.
O PT e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, acionaram o STF e a Justiça Eleitoral.
Os partidos alegam que o conteúdo configura propaganda eleitoral antecipada e representa uma tentativa de contornar as medidas cautelares impostas ao ex-presidente.
Entre os pedidos apresentados estão a retirada do trecho considerado irregular, a proibição de novas divulgações, eventual remoção do conteúdo pelo YouTube e a aplicação de multa de R$ 30 mil por publicação e por representado.
A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que não seria possível proibir o uso de inteligência artificial em disputas políticas e sustenta que a utilização da ferramenta não dependeria da autorização da pessoa retratada.
Já os advogados de Jair Bolsonaro afirmam que o ex-presidente não autorizou o uso de sua imagem e voz no material exibido durante a convenção do PL.
A manifestação foi apresentada depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou que fosse esclarecido se houve consentimento para a produção do vídeo.
Além da Justiça Eleitoral, o caso também chegou ao STF porque Jair Bolsonaro está submetido a medidas que o impedem de acessar redes sociais e divulgar manifestações político-eleitorais, ainda que indiretamente.
Moraes é responsável por analisar eventuais descumprimentos dessas determinações.
Classificação Indicativa: Livre
Fone top
cinema em casa
Qualidade Razer
Lançamento
som poderoso