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Mortes de jovens em ações policiais crescem em SP e entidades acionam Justiça por mudanças; entenda

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Alta na letalidade reacende debate sobre segurança pública e proteção de crianças e adolescentes no estado  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/Agência SP
Ana Caroline Alves

por Ana Caroline Alves

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Publicado em 29/03/2026, às 17h33



O aumento das mortes de jovens em ações policiais no estado de São Paulo tem mobilizado organizações da sociedade civil, que cobram medidas urgentes para conter a violência.

Dados apontam uma alta de 11% na letalidade envolvendo crianças e adolescentes entre 2023 e 2024, o que motivou a atuação conjunta de entidades como o Instituto de Referência Negra Peregum, a Uneafro Brasil e a Rede Liberdade.

As instituições protocolaram uma Ação Civil Pública (ACP) em dezembro de 2025, ainda em análise, com o objetivo de pressionar o poder público a adotar políticas mais eficazes de proteção à infância e juventude.

Até o momento, o Ministério Público de São Paulo se manifestou parcialmente favorável, mas pedidos urgentes foram negados pela Justiça em decisões preliminares, as informações são do UOL.

Dados revelam cenário preocupante e falhas no sistema

O estudo que embasa a ação analisou registros de 2013 a 2025 e identificou que 1.010 vítimas de ações policiais eram menores de idade, representando cerca de 11,26% do total. O ano de 2017 foi o mais crítico, com 942 mortes.

Após esse período, houve queda gradual nos índices, especialmente a partir de 2021, com a implementação de câmeras corporais nas fardas policiais. Em 2023, o número chegou ao menor patamar da série: 510 casos. Ainda assim, os dados mais recentes indicam nova alta.

Outro ponto crítico destacado pelas entidades é a falta de transparência. Segundo o levantamento, mais de 21% dos registros apresentam informações incompletas — com ausência de dados sobre idade ou raça das vítimas —, o que dificulta o monitoramento e a fiscalização das ações policiais.

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Propostas incluem câmeras, transparência e fundo de proteção

Entre as principais medidas defendidas pelas organizações está a obrigatoriedade do uso contínuo de câmeras corporais durante operações, além da proibição de tecnologias de reconhecimento facial nesses dispositivos.

A ação também propõe a criação de um fundo voltado à proteção de crianças e adolescentes, com participação de órgãos públicos, universidades e sociedade civil, incluindo o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Outras sugestões incluem a divulgação periódica de relatórios sobre operações policiais, fortalecimento da atuação de corregedorias e maior transparência nos dados oficiais.

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