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Novo medicamento contra Alzheimer? Entenda como age o "Lecanemabe"

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Aprovado pela Anvisa, lecanemabe é indicado para Alzheimer leve e já está disponível em 48 países, mas com acesso restrito no Brasil.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Freepik
Fernanda Montanha

por Fernanda Montanha

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Publicado em 09/01/2026, às 08h26



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, na última quarta-feira (7) o registro do lecanemabe, medicamento comercializado como Leqembi e desenvolvido pela farmacêutica Eisai.

A terapia é indicada para pacientes com Alzheimer em estágio inicial e já recebeu autorização para uso em cerca de 48 países. A decisão amplia o número de opções disponíveis no Brasil, embora o acesso ainda seja restrito.

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Indicação e perfil dos pacientes

O lecanemabe é um medicamento biológico que atua diretamente sobre a proteína beta amiloide, frequentemente acumulada no cérebro de pessoas com Alzheimer. A indicação é limitada a quadros leves, como comprometimento cognitivo inicial ou demência leve associada à doença.

De acordo com o neurologista Paulo Caramelli, da UFMG, o tratamento é voltado a pacientes que apresentam alterações sutis de memória e cognição, mas que ainda mantêm autonomia para atividades básicas. O foco está em intervir antes que o quadro avance de forma significativa, o que torna o diagnóstico precoce essencial.

Segunda droga aprovada no País

Com essa liberação, o lecanemabe se torna o segundo medicamento autorizado no Brasil para esse perfil de pacientes. Em 2025, a Anvisa já havia aprovado o donanemabe, da Eli Lilly. Ambos pertencem à classe dos anticorpos monoclonais antiamiloides e agem em fases diferentes do depósito da proteína no cérebro.

Apesar das semelhanças, não há estudos que comparem diretamente as duas terapias. Especialistas reforçam que nenhuma delas gera melhora perceptível dos sintomas. O benefício está na desaceleração do declínio cognitivo, e não na recuperação da memória.

Resultados clínicos e controvérsias

Ensaios clínicos com acompanhamento de aproximadamente um ano e meio indicaram que pacientes tratados com lecanemabe apresentaram progressão mais lenta da doença em relação ao grupo placebo. Ainda assim, o impacto clínico é considerado moderado, o que mantém o debate científico em aberto.

Segundo o pesquisador Eduardo Zimmer, do Instituto D’Or, para o Estadão, embora não exista consenso absoluto sobre a causa do Alzheimer, há evidências de que a redução das placas de beta amiloide contribui para retardar a evolução da doença. Esse é o principal argumento a favor do uso do medicamento, mesmo com benefícios limitados.

Tratamento, riscos e acesso

O tratamento é feito por infusões intravenosas a cada duas semanas, em ambiente especializado. Antes de iniciar, é necessário confirmar a presença da patologia amiloide e realizar testes genéticos para identificar a variante APOE ε4(E4), que contraindica o uso do medicamento devido ao risco aumentado de efeitos adversos.

O alto custo e a necessidade de infraestrutura adequada dificultam a incorporação do lecanemabe ao Sistema Único de Saúde. Nos Estados Unidos, o tratamento anual custa cerca de 26 mil dólares. A falta de centros especializados e equipes treinadas segue como um dos principais entraves para ampliar o acesso no Brasil.

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