Política
por Andrezza Souza, Gabriela Pessanha
Publicado em 01/07/2026, às 19h38
A entrega da Praça do Triunfo, na região da Santa Ifigênia, nesta terça-feira (1º), foi marcada por discursos em defesa da estratégia adotada pelo Governo de São Paulo e pela Prefeitura para recuperar uma área que, por mais de três décadas, ficou conhecida pela concentração de usuários de drogas, tráfico e degradação urbana.
Durante a cerimônia, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que a transformação do local representa um marco para a cidade e reforçou que o enfrentamento ao crime organizado continuará sendo prioridade.
Instalada na Quadra 77, na Rua dos Protestantes, a Praça do Triunfo é o primeiro equipamento público entregue dentro do projeto de requalificação da antiga Cracolândia.
O espaço possui 774,67 metros quadrados e conta com playground, academia ao ar livre, quadra poliesportiva, áreas de convivência, paisagismo, iluminação, acessibilidade, gradis, muretas e nova sinalização viária.
A intervenção integra um plano mais amplo de revitalização que prevê habitação de interesse social, áreas comerciais e novos espaços públicos para a região central.
Ao discursar, Tarcísio afirmou que o resultado alcançado foi possível graças à integração entre as forças de segurança, as equipes de saúde e assistência social, o Poder Judiciário, o Ministério Público e entidades da sociedade civil.
"Para isso, a gente precisa ter atitude. Resolver esse problema é uma questão de atitude. É uma questão de querer. E a gente não vai resolver isso sozinho. Essa é uma questão da sociedade. Se a gente quiser acabar, nós vamos acabar", afirmou.
Segundo o governador, havia um consenso entre os diferentes setores envolvidos de que era necessário enfrentar um problema que se arrastava há décadas.
"São Paulo queria resolver o problema. E se a gente quer resolver o problema, a gente resolve."
Tarcísio afirmou que a primeira etapa da estratégia consistiu em enfraquecer a estrutura utilizada pelo tráfico de drogas na região. Segundo ele, as forças policiais atuaram de forma coordenada para retomar o controle do território.
"O trabalho da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Polícia Municipal foi um trabalho de excelência, de inteligência. A gente atuou com firmeza para resolver o problema do tráfico de drogas."
O governador ressaltou que a ocupação da área era uma condição necessária para que as demais políticas públicas pudessem ser implantadas.
"Ali tinha uma questão territorial. Nós tínhamos que tomar o território. Nós tomamos o território. Era necessário dar um baque no tráfico de drogas, e nós demos."
Para ele, o resultado obtido na região poderá servir de exemplo para outras cidades brasileiras.
"O crime não vai vencer o Estado."
Além da atuação das forças de segurança, o governador destacou que o trabalho foi acompanhado pela ampliação da rede de atendimento aos dependentes químicos.
Segundo ele, a estratégia passou a priorizar o tratamento, a recuperação e a reinserção social das pessoas em situação de vulnerabilidade.
"A estratégia para curar a pessoa foi montada. Leitos de retaguarda, casas terapêuticas, construção da autonomia."
Tarcísio afirmou que o atendimento alcançou milhares de pessoas desde o início das ações.
"Começamos a tratar os dependentes químicos. Pais desesperados de toda a região metropolitana, aqui de São Paulo e, às vezes, de outras regiões do Estado, traziam seus filhos para serem tratados."
O governador acrescentou que mais de 30 mil pessoas já passaram pelos programas de acolhimento.
"Nós atendemos mais de 30 mil pessoas e encaminhamos essas pessoas para tratamento. Essas pessoas hoje estão empreendendo, trabalhando, com a família constituída. Isso é muito bacana. É a perspectiva do direito a uma nova chance, a uma nova tentativa."
Atualmente, Prefeitura e Governo do Estado mantêm 3.309 vagas destinadas ao acolhimento e tratamento de dependentes químicos. De acordo com o balanço apresentado durante o evento, cerca de 2.500 pessoas seguem em tratamento, enquanto 104 imóveis utilizados para dar suporte ao tráfico foram lacrados durante as operações realizadas na região.
O prefeito Ricardo Nunes afirmou que a entrega da Praça do Triunfo representa a devolução de um espaço que, durante anos, esteve dominado pelo tráfico de drogas.
"Nós estamos devolvendo para a cidade de São Paulo um espaço que era ocupado pelos traficantes."
Segundo o prefeito, a recuperação da área foi resultado da união entre Prefeitura, Governo do Estado, forças de segurança, assistência social, saúde e entidades da sociedade civil.
Nunes afirmou que o trabalho continuará nos próximos anos.
"Nós vamos continuar fazendo o trabalho necessário, que é atendimento social, atendimento de saúde para as pessoas que, infelizmente, caíram no uso das drogas; com o trabalho unido da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Polícia Municipal, colocando traficante atrás das grades. Nós fomos avançando, fazendo com que as pessoas fossem convencidas a receberem tratamento, prendendo traficantes. Foi coragem. Coragem de enfrentar isso."
Ao encerrar seu discurso, Tarcísio classificou a Praça do Triunfo como um símbolo da transformação da região central.
"A Praça do Triunfo significa muito. Significa a vitória sobre uma chaga de mais de 30 anos."
A revitalização da Quadra 77 continuará nos próximos anos. Além da praça, está prevista a construção de um empreendimento com 97 moradias de interesse social, três unidades comerciais e novos espaços públicos de lazer, em parceria entre a Prefeitura de São Paulo e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). O projeto integra um conjunto de intervenções voltadas à recuperação permanente do Centro da capital paulista.
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