Política
A Prefeitura de São Paulo anunciou um amplo plano de urbanização para o Complexo de Paraisópolis, localizado na zona sul da capital, que envolve mudanças estruturais profundas na região.
A iniciativa, considerada um dos maiores projetos urbanos da cidade, prevê a remoção de cerca de duas mil moradias, com reassentamento das famílias dentro do próprio território. A proposta busca conciliar desenvolvimento urbano com garantia de moradia, segundo a gestão municipal.
A confirmação das intervenções foi feita pelo prefeito Ricardo Nunes durante entrevista concedida nesta quarta-feira. De acordo com ele, as remoções são indispensáveis para permitir a ampliação de vielas e ruas atualmente muito estreitas.
Em alguns trechos, os acessos têm apenas 60 centímetros de largura, o que inviabiliza a circulação de cadeiras de rodas, ambulâncias ou veículos de emergência. A acessibilidade é um dos eixos centrais do projeto, destacou o prefeito.
Após as obras, essas passagens devem alcançar até três metros de largura, garantindo melhores condições de mobilidade e segurança, de acordo com o Metrópoles.
As famílias impactadas serão atendidas por programas habitacionais e transferidas para novos conjuntos residenciais no próprio complexo, evitando deslocamentos para outras regiões da cidade. Segundo a prefeitura, ninguém ficará sem atendimento habitacional.
O plano inclui a entrega de empreendimentos já em construção e o mapeamento de áreas disponíveis para novos prédios do programa Pode Entrar. Ao todo, estão previstas 2.083 unidades habitacionais dentro do escopo do projeto. A ideia é reorganizar o território sem romper os vínculos comunitários existentes, afirmam técnicos envolvidos.
Além das moradias, a urbanização de Paraisópolis contempla um pacote robusto de obras de infraestrutura. Está prevista a abertura e melhoria de aproximadamente 17,8 quilômetros de ruas e vielas, além do prolongamento da Avenida Hebe Camargo.
Essa ampliação criará uma nova ligação viária que facilitará o acesso à estação São Paulo Morumbi da Linha 4 Amarela do metrô.
O projeto também aposta em equipamentos culturais e sociais. Entre eles estão o Pavilhão Cultural do Grotão, com área de 7,5 mil metros quadrados, e a requalificação da Casa Hans Broos, que será transformada em polo artístico. A cultura aparece como ferramenta de inclusão e valorização local, segundo a apresentação oficial.
Na área da saúde e educação, estão previstas a implantação de uma UPA com funcionamento 24 horas, um CAPS e um novo CEU. Outro destaque é a criação do Parque Linear Itapaiúna, que deve ampliar áreas verdes e de lazer na região.
Durante reunião de apresentação do projeto, o secretário de Segurança Urbana sugeriu a instalação de uma base da Guarda Civil Metropolitana dentro da comunidade. A proposta, inicialmente fora do plano, ganhou apoio e já teve locais indicados para possível implantação.
O custo total da urbanização está estimado em R$ 1,6 bilhão e beneficiará também as comunidades Jardim Colombo e Porto Seguro. Os recursos virão da venda dos Certificados de Potencial Adicional de Construção, utilizados na Operação Urbana Faria Lima. Esse mecanismo conecta o crescimento imobiliário a investimentos sociais, explicou a prefeitura.
Agora, o projeto entra em fase de consulta pública, que deve ser aberta ainda nesta semana. A expectativa da gestão municipal é iniciar as obras ainda este ano, após ouvir sugestões e ajustes propostos pela população.
Classificação Indicativa: Livre