Política

Por que obras da Linha 2-Verde avançam em ritmos diferentes? Especialista explica

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Especialista avalia se o ritmo atual das obras permite cumprir a previsão do Metrô de entregar estações prometidas da Linha 2-Verde  |   BNews SP - Divulgação Foto: Márcia Ribero/Metrô de SP
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 02/09/2026, às 06h00



O Metrô de São Paulo mantém a previsão de entregar quatro novas estações da Linha 2-Verde em 2027 e outras quatro até 2028, mas o avanço desigual dos diferentes trechos da expansão levanta dúvidas sobre a capacidade de cumprir o cronograma.

Segundo dados obtidos pelo BNews São Paulo, algumas frentes já apresentam evolução significativa, enquanto outras ainda estão em etapas iniciais de implantação.

A expansão está dividida em dois grandes trechos. Entre Vila Prudente e Penha, com 8,3 quilômetros e oito estações, as obras estão mais avançadas.

Já o segmento entre Penha e Dutra, de 6,2 quilômetros e cinco estações, ainda concentra atividades de preparação, escavação e implantação dos canteiros.

A diferença fica evidente nos números registrados entre março e julho de 2026. No trecho mais antigo, a estação Vila Formosa passou de 45,85% para 52,35% de execução, enquanto o Complexo Rapadura avançou de 49,70% para 55,12%. Já no segmento Penha-Dutra, a estação Penha de França saiu de 2,76% para 10,11%.

A questão, portanto, é: com ritmos tão diferentes, é tecnicamente possível entregar oito estações dentro dos prazos anunciados pelo Metrô?

Em entrevista ao BNews São Paulo, o engenheiro civil e professor Kleber Aristides Ribeiro explica que a meta é tecnicamente possível, embora a execução de uma obra desse porte esteja sujeita a uma série de fatores que podem interferir no cronograma.

Ritmo diferente entre os trechos preocupa

Um dos principais pontos de atenção é justamente a diferença de avanços entre as estações. Enquanto Vila Prudente-Penha já possui estruturas em construção e uma tuneladora em atividade, algumas áreas do trecho Penha-Dutra ainda passam por movimentação de terra e escavações iniciais.

Em Pátio Paulo Freire, por exemplo, a execução passou de 0,09% para 4,62% entre março e julho.

Em Fernão Dias, o avanço foi de 0,52% para 1,35%, enquanto Gabriela Mistral passou de 0,82% para 1,08%. A estação Dutra permaneceu em 0,52% no período.

Para Kleber, diferenças desse tipo são esperadas em projetos de grande porte

"Existem momentos, por exemplo, que a gente vai lidar com solos moles; outras vezes a gente vai se deparar com córregos; outras vezes a gente vai se deparar com construções antigas que são patrimônio histórico, patrimônio cultural, tombamentos", explica. 

Antes da execução, essas características precisam ser mapeadas para definir contenções, remoções e outras intervenções.

Obras podem ganhar velocidade com etapas simultâneas

Mesmo quando surgem atrasos, o cronograma pode ser reorganizado para recuperar parte do tempo perdido

Segundo o professor, uma das estratégias utilizadas pela engenharia é o método PERT/CPM, que permite identificar quais etapas são críticas e quais atividades podem ser realizadas simultaneamente.

"Conseguimos fazer duas, três etapas ou tarefas ao mesmo tempo", explicou. Em vez de esperar a conclusão de uma atividade para iniciar outra, determinadas frentes podem avançar paralelamente, reduzindo o prazo total de execução.

Essa estratégia pode ser especialmente importante para uma obra com várias estações e frentes de trabalho simultâneas. 

A antecipação de mudanças no trânsito e a articulação com órgãos como a Prefeitura de São Paulo e a CET também podem permitir que determinadas etapas sejam iniciadas antes do previsto.

Chuva, trânsito e imprevistos podem atrasar cronograma

Apesar da possibilidade de acelerar determinadas etapas, há fatores que não podem ser completamente controlados. Chuvas, acidentes, dificuldades de acesso aos canteiros e alterações no trânsito estão entre os problemas apontados pelo engenheiro.

"Quando a gente está utilizando o concreto, a gente não pode concretar enquanto chove", afirmou Kleber. Segundo ele, essas situações precisam ser consideradas em uma análise de risco desde o planejamento da obra.

Também podem surgir problemas relacionados a moradores, comerciantes e desapropriações.

Processos administrativos ou judiciais, inclusive envolvendo órgãos públicos, associações e organizações, podem interromper determinadas frentes e provocar alterações no cronograma.

"São situações que toda obra de grande porte acaba tendo ao longo da sua execução", diz o professor. 

Meta de 2027 e 2028 é possível, mas depende do planejamento

Apesar dos riscos, Kleber considera realista a previsão de entregar quatro estações em 2027 e outras quatro em 2028. Na avaliação dele, os estudos necessários já foram realizados e envolvem diferentes órgãos e níveis de governo, além das empresas responsáveis pela execução.

"É possível a gente validar esse tempo", afirmou. Para o professor, o fato de o trajeto, as condições geotécnicas e os impactos da intervenção terem sido previamente analisados permite estabelecer um cronograma com maior segurança.

A expansão da Linha 2-Verde ainda terá de atravessar etapas complexas de escavação, construção das estações, instalação de sistemas e conclusão da infraestrutura. 

O cronograma, portanto, dependerá não apenas do percentual já executado, mas da capacidade de acelerar etapas críticas sem comprometer os padrões de segurança e qualidade.

Para o especialista, o caminho para cumprir os prazos passa justamente por esse equilíbrio: planejamento antecipado, análise de riscos e execução paralela de diferentes etapas sempre que tecnicamente possível.

Classificação Indicativa: Livre

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