Política
por Andrezza Souza
Publicado em 04/08/2026, às 18h40
A Prefeitura de São Paulo publicou uma portaria que restringe o uso de equipamentos sonoros por artistas de rua durante o programa Ruas Abertas, realizado aos domingos e feriados na Avenida Paulista. A norma proíbe o uso de fontes externas de energia, como geradores, baterias externas e ligações elétricas em imóveis, para alimentar caixas de som e instrumentos utilizados nas apresentações.
Segundo a administração municipal, a medida foi adotada após discussões realizadas na Comissão de Conciliação da Subprefeitura da Sé, formada por representantes da prefeitura, comerciantes, moradores e artistas de rua. O objetivo é organizar as apresentações e reduzir conflitos relacionados ao uso do espaço público.
Representantes da categoria, no entanto, contestam a justificativa da prefeitura e afirmam que a portaria não foi debatida na comissão.
Ao comentar a nova regra, o representante dos artistas de rua, Celso Reeks, afirmou que a categoria foi surpreendida pela publicação e que a medida inviabiliza apresentações que dependem de amplificação sonora.
Segundo ele, o texto não passou pela análise da comissão e deveria ter sido discutido antes da publicação para permitir a construção de regras específicas para a Avenida Paulista.
Entidades que representam moradores da região também criticaram a portaria, mas por outro motivo. Em nota, associações afirmaram que a restrição não resolve o problema da poluição sonora.
De acordo com os grupos, a maior parte das caixas de som utilizadas atualmente funciona com bateria interna, equipamento que continua permitido pela nova regulamentação. Eles também argumentam que instrumentos de percussão e de sopro, apontados como fontes frequentes de ruído, não foram alcançados pela norma.
As associações informaram ainda que encaminharam um ofício ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) questionando a efetividade da medida.
O debate ocorre enquanto o Ministério Público conduz um inquérito civil para apurar a poluição sonora na Avenida Paulista durante o programa Ruas Abertas.
A investigação busca esclarecer se houve falhas na fiscalização municipal e solicitou à Prefeitura informações sobre o plano operacional do programa, os dados de fiscalização, os protocolos de controle de ruídos e a atuação da Comissão de Conciliação.
A nova portaria passa a valer para as atividades realizadas na Avenida Paulista durante os dias em que a via é fechada ao trânsito de veículos e aberta ao público para atividades de lazer, cultura e esporte.
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