Política

Sabatina expõe estratégia de Jorge Messias para conquistar votos no Senado

Foto: Lula Marques/Agência Brasil.
Em busca de uma vaga no STF, Messias enfatiza separação de Poderes, critica investigações longas e explicita posições pessoais e institucionais  |   BNews SP - Divulgação Foto: Lula Marques/Agência Brasil.
Bianca Novais

por Bianca Novais

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Publicado em 29/04/2026, às 18h18



A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) foi marcada por uma estratégia de aproximação com setores da oposição e pela defesa de ajustes no funcionamento da Corte.

Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele compareceu à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) sob cenário de incerteza, com projeção de votação apertada no Senado, segundo informações de O Globo.

Foto: Lula Marques/Agência Brasil.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

Sinais políticos

Logo na abertura, Messias adotou um tom conciliador ao elogiar o senador Rodrigo Pacheco, nome que havia sido defendido por lideranças do Senado para a vaga.

O gesto foi interpretado como tentativa de reduzir resistências e ampliar apoio entre parlamentares que demonstraram insatisfação com sua indicação.

Ao longo da sabatina, o advogado também destacou o diálogo com integrantes da oposição, inclusive ao mencionar encontros prévios com senadores de diferentes posicionamentos.

Ele reforçou a ideia de que, em uma democracia, há espaço para divergências, buscando construir uma imagem de atuação institucional acima de disputas políticas.

Convicções e limites

Messias expôs posicionamentos pessoais, como a oposição ao aborto, classificado por ele como crime sob sua convicção filosófica e religiosa. Ao mesmo tempo, fez questão de separar essas opiniões da atuação institucional, defendendo que decisões devem seguir a Constituição e respeitar a competência do Congresso Nacional.

A fala incluiu referências religiosas — o indicado se declarou evangélico e afirmou ser “servo de Deus” —, mas também ressaltou a importância do Estado laico. Segundo ele, convicções individuais não devem interferir no exercício das funções públicas.

Críticas e propostas

Entre os pontos mais sensíveis, Messias defendeu que investigações não se prolonguem indefinidamente, argumentando que processos penais precisam ter prazo razoável e finalidade clara.

Sem comentar casos específicos, ele indicou preocupação com excessos e destacou que o sistema de Justiça não deve ser usado como instrumento de vingança.

O indicado também sugeriu um “aperfeiçoamento” do STF, com maior transparência e possível adoção de mecanismos de controle, como um código de conduta para magistrados.

Em sua avaliação, a credibilidade da Corte depende da capacidade de se adaptar e manter padrões éticos elevados.

Equilíbrio institucional

Outro eixo central da sabatina foi a defesa da separação de Poderes. Messias afirmou que o STF não deve assumir funções que cabem ao Legislativo e utilizou a expressão de que a Corte não pode ser “o Procon da política”, em referência a críticas recorrentes sobre interferência judicial em temas políticos.

Apesar das sinalizações, ele evitou críticas diretas a ministros ou decisões específicas do Supremo, adotando postura cautelosa. Reforçou, ainda, o conceito de “autocontenção” judicial, defendendo que mudanças em temas sensíveis sejam conduzidas com prudência.

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