Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 28/09/2026, às 15h45
São Paulo atingiu um marco na mudança do perfil da população: o estado passou a ter mais pessoas com 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes com menos de 15 anos.
Dados de 2025 do Painel População da Fundação Seade mostram um índice de envelhecimento de 101,0, o que significa 101 idosos para cada 100 pessoas nessa faixa etária.
O indicador mudou radicalmente nas últimas décadas. Em 1950, eram apenas 11,6 idosos para cada 100 crianças e adolescentes. Em 2000, a relação chegou a 34,1; em 2010, subiu para 53,9; e, em 2020, alcançou 82,3.
“O que observamos é uma mudança importante na estrutura etária da população paulista. Em 1950, havia cerca de 12 idosos para cada 100 crianças e adolescentes com menos de 15 anos. Hoje, essa relação chegou a praticamente um para um, mostrando que a população do estado está se tornando cada vez mais madura”, afirma Bernadette Waldvogel, gerente da área de Demografia da Fundação Seade.
Atualmente, a população paulista com 60 anos ou mais chega a 8,4 milhões de pessoas, o equivalente a 18,4% dos habitantes do estado.
As mulheres representam a maior parcela desse grupo. Elas correspondem a 10,5% da população total, enquanto os homens representam 7,9%. Segundo a Agência SP, a diferença aumenta conforme a idade avança, refletindo a maior presença feminina entre as faixas etárias mais velhas.
Outro dado que chama atenção é a chegada da chamada geração X à terceira idade. Entre os paulistas, 549 mil pessoas têm exatamente 60 anos e fazem parte dessa geração, formada por indivíduos nascidos entre 1965 e 1980. Esse grupo representa 6,6% da população idosa.
O número de pessoas com 60 anos ou mais também já se aproxima do contingente entre 45 e 60 anos, que soma 9,2 milhões de habitantes.
A mudança demográfica não ocorre na mesma velocidade em todos os municípios paulistas. Em 2000, Águas de São Pedro era o único município onde a quantidade de idosos já superava a de crianças e adolescentes, com índice de envelhecimento de 110,9.
Em 2025, o cenário se espalhou por outras partes do estado. Os menores índices continuam concentrados principalmente no sul paulista, enquanto municípios do norte e, sobretudo, do noroeste apresentam índices mais elevados.
Turmalina registrou o maior índice de envelhecimento do estado, com 322 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos. Na sequência aparece Águas de São Pedro, com índice de 270,1.
No outro extremo, Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo, apresentou índice de 53,8. O número indica que a população do município ainda tem mais jovens do que idosos, embora o processo de envelhecimento já esteja avançando.
A evolução dos números está relacionada principalmente a dois movimentos demográficos: a redução da fecundidade e o aumento da expectativa de vida.
Com menos crianças nascendo e a população vivendo por mais tempo, a participação dos idosos cresce progressivamente na estrutura populacional.
A diferença entre 1950 e 2025 mostra a velocidade dessa transformação. Em 75 anos, o índice de envelhecimento paulista aumentou 8,7 vezes, passando de 11,6 para 101 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos.
O avanço também revela mudanças que ultrapassam a capital e atingem municípios de diferentes regiões. Enquanto áreas do sul ainda concentram populações relativamente mais jovens, cidades do noroeste paulista já apresentam uma presença proporcionalmente muito maior de idosos.
Para a Fundação Seade, os dados mostram uma transformação profunda na composição da população paulista, com impactos que devem ser considerados no planejamento de políticas públicas voltadas à saúde, previdência, mobilidade, habitação e assistência social.
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