Política
Uma enquete realizada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), divulgada pela Revista Fórum, revela um cenário de forte insatisfação com a condução da educação pública paulista.
O levantamento ouviu 22.335 pessoas entre os dias 17 e 21 de abril, incluindo professores, estudantes, familiares e outros integrantes da comunidade escolar.
Os números indicam rejeição ampla: 94,84% dos participantes classificaram a gestão como ruim ou péssima. Dentro desse universo, chama atenção o percentual de 71,89% que atribuíram nota zero à política educacional.
Quando consideradas avaliações de zero a cinco, a desaprovação chega a 97,66%, consolidando um quadro de avaliação extremamente negativa.
Além das críticas à qualidade da gestão, a enquete também aponta para uma percepção majoritária de falta de diálogo. Para 95,20% dos entrevistados, a condução da política educacional é vista como autoritária.
As condições de aprendizagem também aparecem como ponto crítico: 81,75% classificam o cenário como péssimo. A falta de valorização dos profissionais da educação é outro aspecto destacado, sendo apontada por 96,09% dos respondentes como uma falha significativa da atual gestão.
Entre as políticas mais criticadas estão o uso de plataformas digitais, a militarização e a privatização das escolas. O uso intensivo de tecnologia, defendido como estratégia de modernização, é visto de forma negativa por 80,74% dos participantes, que apontam prejuízos à qualidade do ensino.
A proposta de militarização das escolas públicas também enfrenta resistência: 71,84% dos entrevistados se posicionam contra a iniciativa. Já a política de privatização das unidades de ensino é rejeitada por 78,23% dos participantes da enquete.
Outras medidas, como o Programa de Ensino Integral (PEI) e o fechamento de turmas no período noturno, são percebidas como fatores de exclusão. Para 92,17% dos entrevistados, essas ações afetam diretamente estudantes que precisam conciliar trabalho e estudo, ampliando desigualdades e dificultando a permanência na escola.
A deputada estadual Professora Bebel avalia que os dados refletem a experiência cotidiana da comunidade escolar. Segundo ela, os resultados indicam a necessidade de revisão das políticas adotadas e maior abertura ao diálogo, diante de críticas que envolvem desde condições de ensino até inclusão e valorização profissional.
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