Política

Um ano após morte na Linha 5-Lilás, investigação segue sem esclarecer falhas e portas continuam atrasadas

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O Metrô de São Paulo afirma que medidas administrativas foram adotadas, mas não esclarece responsabilidades pelo acidente fatal.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Governo de SP
Fernanda Montanha

por Fernanda Montanha

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Publicado em 06/05/2026, às 08h49



O Metrô de São Paulo finalizou a apuração sobre a morte de Lourivaldo Ferreira Nepomuceno, ocorrida em 2025 na Estação Campo Limpo, da Linha 5-Lilás, sem informar quais falhas contribuíram para o acidente.

O passageiro morreu em 6 de maio do ano passado após ficar preso entre o vão e a porta da plataforma enquanto tentava embarcar em um trem operado pela ViaMobilidade. O caso gerou questionamentos sobre a segurança do sistema e a demora em soluções já discutidas anteriormente.

Em nota oficial, o Metrô resumiu o resultado da sindicância afirmando apenas que medidas administrativas para melhorar os processos foram adotadas, sem apresentar detalhes sobre responsabilidades ou falhas específicas.

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que o inquérito policial foi arquivado a pedido do Ministério Público de São Paulo, sem indicação de responsabilização criminal pelo caso, segundo o G1.

Problemas antigos no sistema

Documentos da própria concessionária e do governo estadual mostram que falhas nas portas de plataforma já eram conhecidas havia pelo menos 3 anos antes da morte de Lourivaldo.

Em novembro de 2021, um passageiro ficou preso no mesmo espaço na estação Chácara Klabin. Na ocasião, a própria ViaMobilidade concluiu que o sistema não atendia integralmente aos requisitos de segurança, mas nenhuma solução definitiva foi implantada.

Novos episódios semelhantes foram registrados em 2022 e também em 2023. Mesmo assim, a fabricante das portas não entregou o sistema de proteção prometido antes do acidente fatal.

Após a morte, a concessionária instalou barreiras de proteção no vão entre o trem e a porta da plataforma, mas sensores de presença, capazes de detectar pessoas no local e impedir a partida do trem, ainda não foram implantados.

Portas de segurança seguem atrasadas

A instalação de portas de plataforma nas linhas mais antigas também continua com atraso. Na Linha 1-Azul, apenas 2 das 23 estações possuem o equipamento.

Na estação Sé, a mais movimentada da rede, ainda não há portas de segurança na plataforma da Linha 1-Azul. Já na Linha 3-Vermelha, as estruturas foram instaladas, mas seguem sem funcionamento.

O contrato firmado em 2019 previa a instalação de 88 portas até 2024, porém o prazo já foi adiado duas vezes e ainda não existe uma data final definida.

Segundo o Metrô, Sé e República devem receber os equipamentos ainda neste semestre. Já Anhangabaú e Brás serão as próximas, mas seguem sem previsão oficial de entrega.

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