Política
O vírus Nipah voltou ao centro das atenções após a confirmação de um novo surto na Índia, em janeiro de 2026.
A detecção de casos em Calcutá, no estado de Bengala Ocidental, provocou preocupação entre autoridades de saúde e fez o nome da doença disparar nas buscas do Google, com aumento superior a 300% em poucos dias, segundo dados do Google Trends.
Ao todo, cinco infecções foram confirmadas até agora, incluindo profissionais da área da saúde, como médicos e enfermeiros.
Quase 100 pessoas estão em isolamento preventivo, e ao menos um dos pacientes encontra-se em estado grave, as informações são do Estado de Minas.
Identificado pela primeira vez em 1999, o vírus Nipah (NiV) é um patógeno zoonótico, ou seja, pode ser transmitido de animais para humanos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) o classifica como uma ameaça prioritária devido ao seu alto potencial epidêmico e à elevada taxa de letalidade, que pode variar entre 40% e 75%, dependendo do acesso a cuidados médicos.
O reservatório natural do vírus são morcegos frugívoros, conhecidos como raposas-voadoras. Em humanos, a infecção costuma ocorrer após o consumo de alimentos contaminados por secreções desses animais ou pelo contato direto com pessoas ou animais infectados, como porcos.
Os primeiros sinais da doença lembram uma gripe intensa, com febre, dores musculares e de cabeça. Em alguns casos, surgem sintomas respiratórios, como pneumonia atípica.
O quadro pode evoluir rapidamente para uma encefalite, inflamação grave do cérebro que provoca confusão mental, convulsões, perda de consciência e pode levar ao coma em até 48 horas.
Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra o Nipah. O atendimento médico é focado em suporte clínico e controle dos sintomas, o que reforça a gravidade de novos surtos.
Apesar da alta letalidade, especialistas apontam que o risco de uma pandemia global é considerado menor do que o observado com a Covid-19. Isso porque o Nipah não se espalha com facilidade pelo ar e exige contato próximo com fluidos corporais para a transmissão.
Até o momento, o surto permanece restrito à Índia, mas países vizinhos já adotaram medidas de triagem em aeroportos.
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