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Publicado em 02/09/2026, às 15h11 Foto: Reprodução/Netflix Marcela Guimarães
John-Paul “JP” Miller continua em liberdade sob fiança em Myrtle Beach, na Carolina do Sul, enquanto aguarda um julgamento federal previsto para outubro de 2026.
O pastor, porém, não responde judicialmente pela morte da esposa, Mica Miller, já que nunca foi acusado de envolvimento direto no caso.
As acusações contra ele são relacionadas a perseguição virtual e a supostas declarações falsas feitas a investigadores federais.
O caso voltou a ganhar repercussão com a estreia de “A Morte da Esposa do Pastor”, documentário em três episódios da Netflix.
Mica Miller tinha 30 anos quando foi encontrada morta, em 27 de abril de 2024, no Lumber River State Park, na Carolina do Norte. O local ficava a aproximadamente 110 km de Myrtle Beach, onde ela morava.
A morte aconteceu apenas dois dias depois de Mica entregar ao marido os documentos para iniciar o processo de separação. As autoridades do Condado de Robeson concluíram que a mulher morreu por suicídio.
A repercussão do caso aumentou nos dias seguintes. JP apareceu na igreja no dia posterior à morte, conduziu o culto normalmente e somente ao final comunicou aos fiéis que a esposa havia morrido. O pastor citou problemas relacionados à saúde mental de Mica.
Familiares e amigos passaram posteriormente a fazer acusações públicas de controle e abuso emocional durante o relacionamento. JP nega essas acusações.
Mica fazia parte da Solid Rock Church, em Myrtle Beach, onde trabalhava como líder de louvor. Ela conheceu JP quando ele ainda era casado e ela trabalhava como sua assistente.
O relacionamento entre os dois começou como um caso extraconjugal e provocou uma crise dentro da própria congregação. Na sequência, eles se casaram.
A diferença de idade entre os dois também chamava atenção: JP era 15 anos mais velho que Mica.
Segundo a reconstrução apresentada pela produção da Netflix, familiares e pessoas próximas passaram a perceber o relacionamento de maneira diferente ao longo dos anos, principalmente diante dos relatos deixados por Mica em mensagens, vídeos e diários.
Não. Esse detalhe é importante porque a morte de Mica gerou diversas especulações.
John-Paul nunca foi acusado de provocar ou participar da morte da esposa. Na ocasião, ele afirmou que estava em Charleston, participando de um torneio de futebol, quando Mica morreu.
O escritório do xerife do Condado de Robeson confirmou que o pastor não estava na Carolina do Norte naquele momento.
As acusações criminais apresentadas posteriormente contra ele são relacionadas a outros fatos.
Em dezembro de 2025, o pastor foi indiciado por dois crimes. Um deles é perseguição virtual (cyberstalking), relacionada a um suposto padrão de assédio contra Mica antes da morte dela.
A segunda acusação envolve o fornecimento de supostas informações falsas a investigadores federais durante a apuração do caso.
JP se declarou inocente. O julgamento, após sofrer adiamentos, está previsto para outubro de 2026. Como o processo ainda não foi julgado, as acusações permanecem no campo das alegações, e o pastor tem direito à presunção de inocência.
Apesar da repercussão do caso e da queda no número de fiéis, JP Miller não deixou de exercer atividades religiosas.
A Solid Rock Church chegou a reunir cerca de 700 pessoas, mas perdeu grande parte dos frequentadores depois da morte de Mica e das acusações feitas contra o pastor. O imóvel da igreja acabou sendo vendido.
Atualmente, segundo o documentário, JP realiza cultos para um grupo muito menor, com aproximadamente 15 a 20 pessoas, em diferentes locais provisórios na região de Myrtle Beach.
Pouco mais de um ano depois da morte de Mica, JP voltou a se casar. Em 1º de junho de 2025, ele oficializou a união com Suzie Skinner, que já havia frequentado a Solid Rock Church.
A cerimônia aconteceu à beira-mar. O relacionamento também aparece no documentário, que aborda alegações envolvendo os dois. As acusações não foram comprovadas judicialmente e são negadas por JP.
A família de Mica também passou a atuar na criação de uma legislação inspirada na experiência vivida por ela.
Conhecido como “Lei de Mica”, o projeto SB 702, na Carolina do Sul, busca ampliar o conceito de violência doméstica para contemplar formas de abuso psicológico, emocional e financeiro.
A proposta também prevê a criminalização do controle coercitivo e treinamento específico para policiais.
O projeto não avançou durante a sessão legislativa de 2026, mas se tornou uma das principais iniciativas associadas ao caso.
Atualmente, John-Paul Miller permanece na região de Myrtle Beach, em liberdade sob fiança, e aguarda o julgamento federal marcado para outubro de 2026. Ele não responde pela morte de Mica, mas pelas acusações de perseguição virtual e de falsas declarações a investigadores.
Assista ao trailer oficial de “A Morte da Esposa do Pastor”:
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