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Publicado em 13/07/2026, às 21h20 Foto: Pexels/Ademir Mattos Andrezza Souza
Pela primeira vez, cientistas identificaram um açúcar verdadeiro no espaço interestelar. A descoberta foi feita por uma equipe internacional de pesquisadores, que detectou a molécula eritrulose em uma nuvem de gás e poeira localizada próxima ao centro da Via Láctea, a cerca de 26 mil anos-luz da Terra. O estudo foi publicado nesta segunda-feira (13) na revista científica Nature Astronomy.
O achado é considerado relevante para a astrobiologia porque reforça a hipótese de que moléculas importantes para o surgimento da vida podem ser mais comuns no Universo do que se imaginava.
A eritrulose é um açúcar formado por quatro átomos de carbono e faz parte da mesma família química de moléculas relacionadas ao funcionamento dos organismos vivos. Compostos semelhantes participam da estrutura do DNA e do RNA, além de atuarem em processos biológicos essenciais.
Na Terra, a substância pode ser encontrada naturalmente em frutas como morango e framboesa.
Até então, pesquisadores haviam identificado moléculas parecidas com açúcares em regiões do espaço, mas nenhuma delas era classificada quimicamente como um açúcar verdadeiro. A eritrulose passa a ser a primeira confirmação desse tipo fora do Sistema Solar.
A molécula foi identificada a partir de observações realizadas pelos radiotelescópios Yebes 40m e IRAM 30m, na Espanha. Os equipamentos detectaram a assinatura de rádio da eritrulose em uma nuvem molecular conhecida como G+0,693-0,027, considerada uma das regiões mais ricas em diversidade química da galáxia.
Segundo explicou a astrônoma Izaskun Jiménez-Serra, principal autora do estudo, em entrevista ao g1, a equipe comparou os sinais captados pelos telescópios com medições laboratoriais para confirmar a presença da molécula.
"É por isso que a eritrulose é o primeiro açúcar verdadeiro detectado no espaço interestelar", afirmou a pesquisadora ao g1.
Os pesquisadores ressaltam que a identificação da eritrulose não comprova como a vida surgiu, mas fortalece a hipótese de que moléculas complexas podem ser produzidas naturalmente no espaço muito antes da formação de planetas.
Segundo o estudo, compostos como esse podem ter se formado sobre partículas de gelo presentes em nuvens interestelares e, posteriormente, sido transportados para planetas por cometas e asteroides.
Ao g1, Izaskun Jiménez-Serra afirmou que a pesquisa indica que ingredientes químicos importantes para a vida podem estar distribuídos por diferentes regiões do Universo.
Para os autores, a descoberta amplia as perspectivas para futuras investigações sobre a origem das moléculas orgânicas e aumenta a possibilidade de que ambientes favoráveis ao desenvolvimento da vida existam além da Terra.
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