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Publicado em 26/10/2026, às 22h12 Foto: Divulgação/Netflix Marcela Guimarães
“Lupin”, produção francesa da Netflix, acaba de ganhar sua 4ª temporada. Na trama, Assane Diop, interpretado por Omar Sy, utiliza as histórias de um famoso ladrão da literatura para planejar seus próprios crimes.
Mas, afinal, quem foi Arsène Lupin, personagem que serve de inspiração para o protagonista? Criado há mais de um século, o ladrão de casaca já protagonizava histórias de roubos engenhosos muito antes de chegar ao streaming.
Arsène Lupin nasceu da imaginação do escritor francês Maurice Leblanc e apareceu pela primeira vez em 15 de julho de 1905, no conto “A Prisão de Arsène Lupin”, publicado na revista Je sais tout, cujo nome significa algo como “eu sei tudo”.
A criação surgiu a pedido do editor Pierre Lafitte, que pretendia apresentar ao público um personagem francês capaz de conquistar os leitores.
A estreia de Lupin, curiosamente, não foi marcada por uma fuga espetacular, mas por sua captura. Na primeira história, passageiros de um transatlântico com destino a Nova York descobrem que o ladrão está a bordo, disfarçado. No final, o inspetor Ganimard consegue prendê-lo.
Mas a prisão não impediu o início de sua trajetória literária. Conhecido pela elegância, ironia e habilidade para assumir diferentes identidades, Lupin virou um especialista em enganar os mais ricos.
Em vez de recorrer à violência, preferia a inteligência e a manipulação, além de gostar de anunciar seus planos com antecedência. No conto seguinte, por exemplo, ele comunica da prisão que pretende saquear o castelo de um barão.
Antes de criar o personagem, Leblanc, nascido em Rouen, em 1864, ainda não era um escritor muito conhecido. O sucesso de Lupin mudou sua carreira e o acompanhou até o fim da vida, em 1941.
Ao longo dos anos, o autor escreveu cerca de 20 romances, duas peças teatrais e mais de 30 contos protagonizados pelo ladrão.
Na França, o personagem alcançou uma popularidade comparável à do detetive Sherlock Holmes, por mais que os dois tenham métodos e personalidades diferentes.
Uma das histórias mais importantes para compreender a ligação entre o personagem literário e a série da Netflix é “O Colar da Rainha”, publicada em 1906.
No conto, a joia pertence à família aristocrática Dreux-Soubise e desaparece de um cômodo que estava trancado por dentro. A principal suspeita é Henriette, uma mulher humilde que morava de favor na residência com o filho pequeno, Raoul.
Sem conseguir solucionar o caso, a família deixa Henriette sob suspeita. Durante anos, ela continua recebendo cartas anônimas acompanhadas de dinheiro, sem saber quem está por trás dos envios.
A verdade só vem à tona muito tempo depois, durante um jantar. Um convidado misterioso reconstitui o desaparecimento da joia e revela que o responsável pelo roubo foi justamente o menino, que tinha apenas seis anos na época. Os indícios apontam que o homem é o próprio Lupin, já adulto.
A história revela um filho que busca vingança pela humilhação sofrida pela mãe diante de uma família poderosa. É justamente esse detalhe emocional que a adaptação da Netflix incorpora à trajetória de Assane Diop.
Na produção da Netflix, o passado de Assane está ligado a Babakar Diop, seu pai, um imigrante senegalês que trabalhava como motorista para a rica família Pellegrini. Ele é acusado de roubar um colar que teria pertencido a Maria Antonieta e morre na prisão quando o filho tem 14 anos.
Assane decide investigar o caso depois de 25 anos e, enfim, buscar justiça pela morte do pai. O protagonista passa a montar planos elaborados, usando disfarces, inteligência e truques para enfrentar aqueles que considera responsáveis pela injustiça.
*Com apuração do portal O Tempo
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