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Superlotação marca pré-Carnaval em SP e causa cenas de caos na Consolação

Coincidência de dois grandes eventos na Rua da Consolação gerou superlotação, empurra-empurra, desmaios e críticas à organização  |  Foto: Sergio Barzaghi/SECOM

Publicado em 09/02/2026, às 11h35   Foto: Sergio Barzaghi/SECOM   Marcela Guimarães

Na tarde do último domingo (8), milhares de foliões foram empurrados, prensados e arrastados no pré-Carnaval de São Paulo com superlotação, calor extremo e falhas de organização.

A coincidência de dois grandes eventos (o show de Calvin Harris e o tradicional desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta com Péricles) transformou os cerca de dois km da via em caos.

Grades foram derrubadas, pessoas passaram mal e, em alguns trechos, houve relatos de abordagens policiais mais rígidas.

Foto: Leon Rodrigues/SECOM

Multidão antes do show

Em sua estreia no Carnaval de rua paulistano, Calvin Harris atraiu uma multidão após 11 anos longe dos palcos brasileiros.

Ainda pela manhã, por volta das 11h, foliões já se aglomeravam tentando se aproximar do trio elétrico, horas antes do início oficial da apresentação, marcado para as 15h.

Mesmo antes de o DJ subir ao palco, críticas à organização começaram a surgir. A decisão de concentrar dois megablocos no mesmo trecho da Consolação, ainda que com horários diferentes, foi apontada como um erro previsível.

Calor e atendimento médico

Com temperaturas elevadas e a via tomada por muita gente, dezenas de foliões precisaram de atendimento médico.

A prefeitura reservou um trecho da Consolação para circulação de viaturas e resgate, mas a tentativa de contenção acabou aumentando a tensão em alguns pontos.

Uma parte do público alegava mal-estar para tentar acessar áreas restritas; outra aguardava brechas na segurança para pular grades.

Em determinados momentos, grupos se organizaram para derrubar as estruturas de contenção. Um quartel do Corpo de Bombeiros chegou a ser invadido.

Tentativa de mediação da PM

Com o agravamento da situação, agentes da Polícia Militar passaram a utilizar cassetetes para tentar conter a multidão.

O acúmulo de problemas acabou impactando o andamento dos desfiles. O trio do DJ escocês teve atraso e, para evitar um cenário ainda pior, o Acadêmicos do Baixo Augusta, que sairia às 16h, decidiu adiar o início da apresentação.

Desmaios e cenas de caos

Os episódios de desmaio foram frequentes ao longo do dia. Apesar da previsão de chuva para o fim da tarde, o bloco começou perto de 12h com sol forte.

O cenário acarretou a sensação de caos em algumas partes da via, com empurra-empurra e dificuldade de circulação.

Nota da prefeitura

Em nota ao jornal O Globo, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o “recorde de público em bloco na Rua da Consolação” levou à liberação de vias de acesso como áreas de escape e à retirada de grades para melhorar a mobilidade.

Segundo o comunicado, o acesso de novas pessoas à região foi pausado temporariamente. A Polícia Militar chegou a recomendar, nas redes sociais, que o público evitasse o local.

“A prefeitura informa ainda que os postos médicos operaram para o atendimento das pessoas que procuraram o serviço. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) mantém postos na região para atendimento dos foliões. Não houve ocorrência grave”, destacou a nota.

Ambulantes e via estreitada

Além dos megablocos, a Rua da Consolação concentrou centenas de ambulantes. A presença de vendedores contribuiu para o estreitamento da via e dificultou ainda mais a circulação do público.

Como o bloco era patrocinado por uma única marca de cerveja, muitos foliões levaram bebidas de casa. Era comum ver sacolas com gelo, garrafas de destilados e petiscos improvisados, como espetinhos e amendoim.

Com a alta demanda, estabelecimentos abertos na região improvisaram cartazes de promoção e passaram a cobrar até R$ 5 pelo uso do banheiro.

Por mais que a prefeitura tenha instalado banheiros químicos, muitos ficaram distantes ou inacessíveis por conta da lotação.

Classificação Indicativa: Livre


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