Política

Carnaval de SP reduz investimentos em infraestrutura e diminui oferta de banheiros químicos

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.
Com menos banheiros químicos e custos que vão além do divulgado, o Carnaval de Rua de São Paulo expõe um contraste entre economia anunciada e gastos reais.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.
Bianca Novais

por Bianca Novais

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Publicado em 07/02/2026, às 19h00



O Carnaval de Rua de São Paulo em 2026 terá uma redução significativa na infraestrutura básica. A principal mudança está no número de banheiros químicos: serão 37% menos do que no ano passado. As informações foram reveladas em reportagem do Metrópoles e mostram um cenário de corte que afeta diretamente os foliões.

Neste ano, a São Paulo Turismo (SPTuris) tem autorização orçamentária para contratar no máximo 15,3 mil diárias de banheiros químicos durante os oito dias oficiais de festa. Em 2025, haviam sido efetivamente usadas 24 mil diárias, apesar de o contrato permitir até 38,5 mil. Antes disso, em 2020, último carnaval antes da atual gestão assumir a prefeitura, foram utilizadas 21 mil diárias.

Foto: Agência Brasil.
Foto: Agência Brasil.

Contrato mais rígido

Diferentemente do ano passado, o contrato de 2026 não permite ampliação do número de banheiros ao longo da festa. O texto prevê a execução “fiel e integral” do que foi solicitado, sem margem para ajustes.

Na prática, isso reduz a média diária de equipamentos disponíveis na cidade: se antes eram cerca de 3 mil por dia, com picos possíveis de 5 mil, agora o número cai para aproximadamente 1,92 mil banheiros por dia.

Preços em alta

Outro ponto que chama atenção é o custo do serviço. Em 2025, a prefeitura pagou R$ 388 por diária de banheiro químico. Em 2019, o valor era de R$ 123; em 2020, chegou a no máximo R$ 203.

Para 2026, o preço caiu em relação ao ano anterior, mas ainda ficou elevado: R$ 272 por diária.

A conta que não fecha

A redução na infraestrutura ocorre em meio ao discurso de economia nos gastos com o Carnaval de Rua. A prefeitura repassou R$ 29,2 milhões à SPTuris em 2026, contra R$ 42 milhões no ano anterior, e afirma que os custos são integralmente cobertos pelo patrocínio da Ambev, que chega a cerca de R$ 30 milhões.

No entanto, despesas fora desse repasse ampliam consideravelmente o valor total. Há gastos com ambulâncias e postos médicos, ações de promoção turística, fomento aos blocos e fiscalização do comércio ambulante.

Somados, esses itens elevam o custo do carnaval para R$ 60,7 milhões, mais que o dobro do valor oficialmente anunciado.

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