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Publicado em 07/04/2026, às 12h54 Samir Xaud, presidente da CBF - Foto: Rafael Ribeiro/CBF Marcela Guimarães
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pretende usar o debate sobre a criação de uma liga única como instrumento para conter os discursos que colocam em xeque a arbitragem no Campeonato Brasileiro.
“O árbitro veio aqui e nos roubou dentro da nossa própria casa”. A entidade cita esse tipo de declaração, como a do zagueiro David Duarte, do Bahia, após jogo contra o Palmeiras, como exemplo de fala que busca combater.
A proposta passa por discutir, com os clubes, melhorias no chamado “produto” do futebol brasileiro.
Para a CBF, a forma como jogadores, dirigentes e comissões técnicas se manifestam influencia diretamente a percepção do público sobre o Brasileirão.
A entidade aponta que, por mais que a arbitragem não seja isenta de erros, existe um excesso de declarações que associam falhas a má intenção, o que acaba afetando sua credibilidade.
Pesquisas internas indicaram à CBF que parte dos torcedores tem deixado de assistir aos jogos por perda de confiança na arbitragem.
Nesse cenário, a entidade defende que as palavras têm peso na construção (ou desgaste) da imagem do Campeonato Brasileiro.
Dentro do modelo ideal discutido com os clubes, críticas consideradas exageradas poderiam resultar em punições.
Ao comparar o Brasileirão com ligas como as da Inglaterra, Espanha e Alemanha, a CBF aponta que o Brasil registra mais cartões amarelos e vermelhos, maior número de faltas por partida e mais tempo de intervenção do VAR.
Como consequência, existe também menor aprovação da arbitragem por parte dos torcedores.
A entidade ressaltou aos clubes que “o jogo também é responsabilidade dos clubes. E não só da arbitragem”.
Segundo a CBF, práticas como simulações e o chamado antijogo partem dos próprios atletas, enquanto a pressão institucional e a cultura de reclamação influenciam o comportamento em campo e o ritmo das partidas.
Também há críticas direcionadas às comissões técnicas, principalmente pelo comportamento à beira do campo.
“Com o Palmeiras é sempre assim. Todas as vezes que o Palmeiras vence, é ‘escândalo’, arbitragem. Eu, presidente, não reclamo de arbitragem. A presidente não reclamou do resultado da final da Libertadores. Nunca terceirizo responsabilidade. ‘Nossa, Leila, você falando de dirigentes que reclamam da arbitragem. E o seu treinador?’: ele é punido, tem cartão para ele, pode ser julgado. E os dirigentes e treinadores que reclamam e não acontece nada? Isso é injusto. Eu queria que tivesse punição também para dirigentes e jogadores que desrespeitassem arbitragem em entrevistas”, disse Leila Pereira, presidente do Palmeiras, após reunião entre clubes e CBF.
*Com apuração do UOL
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