Farinha Lima
Publicado em 19/08/2026, às 07h00 Foto: Criada por IA Farinha Lima
Nelson Wilians transformou a advocacia em reality show, com direito a jatinhos, helicópteros, carrões, mansão e festas dignas de celebridade. O problema é que, nas últimas semanas, o roteiro ganhou um capítulo bem menos glamouroso: o advogado virou alvo de duas operações em menos de um mês. A pergunta que fica é se o jatinho continua sendo o principal meio de transporte ou se, daqui para frente, o destino das viagens será definido por mandado judicial.
A delação de Daniel Vorcaro promete tirar o sono de muita gente engravatada da Faria Lima. A expectativa é de que o empresário entregue um cardápio indigesto de nomes, capaz de fazer advogados e executivos trocarem rapidamente a camisa italiana pelo uniforme da Papuda. Se o que circula nos corredores de Brasília e São Paulo se confirmar, tem gente que já deveria começar a decorar o caminho até o parlatório.
Tarcísio de Freitas resolveu vender uma versão diet da motosserra argentina. Ao defender um ajuste fiscal “suave” e dizer que o Brasil não precisa de uma solução à Javier Milei, o governador sinaliza que quer conversar com o mercado sem assustar o eleitorado. A receita é simples: cortar gastos, mas sem fazer barulho demais.
Ricardo Nunes chamou promotor de “idiota” e acabou ganhando uma espécie de salvo-conduto judicial para a língua solta. O TJSP rejeitou a denúncia apresentada contra o prefeito de São Paulo pelo episódio, entendendo que não havia elementos suficientes para levar a acusação adiante.
São Paulo já prepara o Carnaval de Rua de 2027, depois de uma edição histórica em 2026.
Foram 17,3 milhões de foliões e R$ 4 bilhões movimentados — mas banheiro virou artigo de luxo. Atrasos e falta de sanitários renderam reclamações durante a folia. Agora, a Prefeitura cria um comitê para planejar a próxima festa. No fim das contas, o folião só quer uma coisa: curtir o bloco sem precisar transformar a busca por um banheiro em parte da programação.
A despedida de Laura Cardoso e Gloria Menezes deixa uma lacuna que o teatro brasileiro dificilmente conseguirá preencher. Duas gigantes que não precisavam de holofotes para provar o tamanho de seus talentos. Fica o silêncio no palco — e, convenhamos, talvez seja a primeira vez que ele diga tanto. O público perde duas referências, enquanto o teatro e a TV ganham uma ausência impossível de substituir. Afinal, formar novas grandes damas parece ser uma tarefa bem mais difícil do que simplesmente produzir novos rostos.
Não é só a política que vive de bafafá. No mundo do futebol o clima esquentou essa semana em um tradicional e centenário clube de São Paulo. Depois que virou SAF há desconfianças de desvios milionários como pagamentos de honorários advocatícios, influência de investigadores da Polícia Civil, traições, separações e tudo o mais que seja possível no meio da alta sociedade, mas que acreditam só existir na classe C. O clube encheu o cofre depois de anos na pior, mas agora virou caso de polícia. Não é só a Faria Lima que tem boas histórias para contar, parece que os gramados paulistas também rendem bons enredos.
Romeu Zema mal abriu a campanha presidencial e já mandou recado para Lula, STF e quem mais estivesse no caminho. O candidato do Novo escolheu um avião de papel para atravessar o país, pousar no Congresso e entregar a provocação ao presidente. O bilhete não era exatamente um cartão de boas-vindas.
Com 2% na pesquisa Quaest e 47% dos eleitores dizendo que ainda não o conhecem, Zema parece ter escolhido uma estratégia simples: se ainda falta ser conhecido, que seja pelo barulho. Agora resta descobrir se o avião de papel consegue voar até outubro.
Nem começou a campanha e Nikolas já apertou o botão do “Lula e Moraes, parte mil”. Na estreia pela reeleição, vieram custo de vida, poder de compra, maioridade penal e, claro, críticas ao governo e a Moraes. A receita é conhecida: indignação, redes sociais e os mesmos alvos de sempre.
Deu certo. O vídeo passou de 12 milhões de visualizações em poucas horas. Campanha nova, roteiro antigo e os suspeitos de sempre no elenco.
Começou a temporada do slogan bonito e da realidade parcelada em 12 vezes. Lula vem com “O Brasil pronto pra mais”. Mais o quê? Aí fica para a próxima fase. Flávio Bolsonaro garante que “O Brasil vai vencer”. Só não avisou quem vai entregar a medalha.
Renan Santos promete que “O futuro é glorioso”. Pelo menos o futuro já começou com autoestima. Caiado chega com “Coragem pra mudar”. Coragem, aparentemente, virou item obrigatório no kit presidencial. Zema foi direto ao ponto: “Brasil sem esquema”. O slogan já vem com uma auditoria embutida.
E Augusto Cury avisa: “Fala, Brasil. Cury escuta.” Finalmente uma campanha em que alguém promete ouvir. No Brasil, o futuro pode até ser incerto. O slogan, pelo menos, já está garantido.
A corrida presidencial começou oficialmente e os candidatos já chegaram com o combo completo: promessa grande, discurso inflamado e inimigo convenientemente escolhido. Lula falou em combater o crime. Flávio Bolsonaro prometeu “tesouraço” e mirou em Lula. Caiado, Zema e Renan Santos também entraram em campo com seus próprios discursos. Cada um vendendo seu Brasil ideal.
Porque campanha eleitoral é assim: o país está quase perfeito no palanque. O difícil é descobrir quem paga a conta quando o discurso acaba.
Marina Silva foi fazer campanha em São Paulo e encontrou um eleitor que aparentemente confundiu debate com intimidação. Durante uma caminhada, um homem não identificado a abordou com falas e gestos agressivos. Marina precisou entrar em uma loja e ser acompanhada por seguranças.
A candidata espera que esse não seja o tom da campanha. Porque pedir voto é democracia. Tentar intimidar quem pensa diferente é outra coisa
Lula pediu voto antes da hora. A Justiça Eleitoral respondeu com uma solução simples: corta essa parte. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de trechos de um discurso do presidente em uma convenção do PT na Bahia.
O motivo? Pedidos explícitos de voto feitos antes do início oficial da campanha. O restante do vídeo pode continuar no ar. Só aquela parte mais eleitoral precisa desaparecer. A campanha começou domingo. Alguns discursos, pelo visto, vão precisar começar de novo.
O Senado de 2026 resolveu inovar. Dos 314 candidatos, 245 são homens. A maioria se declara branca, tem mais de 50 anos, é casada e possui ensino superior completo. É praticamente um pacote completo. Só faltou avisar em qual gaveta ficou a novidade.
As mulheres representam 22% das candidaturas, enquanto pretos e pardos somam 37%. A idade média dos candidatos é de 55 anos. Na parte financeira, a eleição também promete grandes números. Cada candidato ao Senado declarou, em média, R$ 9,5 milhões em patrimônio. Em 2018, a média era de R$ 5,6 milhões.
Ou seja: para chegar ao Senado, currículo não parece ser o único item bem preenchido. O Partido Liberal (PL) lidera em quantidade, com 33 candidatos, cerca de um em cada dez nomes na disputa. Ao todo, são 314 candidatos para 54 vagas. Agora é esperar a urna decidir quem continua candidato e quem vira apenas mais um nome na lista de quem tentou.
STJ decide que milhas e pontos de fidelidade podem ser penhorados para quitar débitos. Juntou milhas por meses para viajar? Dependendo do tamanho da dívida, o destino pode ser outro. A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que pontos de fidelidade e milhas aéreas podem ser penhorados para o pagamento de débitos.
Por unanimidade, os ministros entenderam que esses créditos têm valor patrimonial e podem ser convertidos em dinheiro. A decisão reformou o entendimento da Justiça de São Paulo, que havia barrado a medida por falta de mecanismos seguros para transformar os pontos em dinheiro. Agora, além de escolher o destino das próximas férias, o devedor pode ter que torcer para as milhas não escolherem o credor primeiro.
Augusto Cury mal começou e já decidiu que era hora de trocar quem conta a história. Sérgio Lima assume a comunicação no lugar de Leandro Grôppo e também passa a cuidar das equipes de imprensa e comunicação.
O novo marqueteiro já trabalhou com Jair Bolsonaro e participou da criação do Aliança pelo Brasil, partido que tentou nascer, mas ficou no projeto. Enquanto isso, Cury aparece com 2% nas intenções de voto na pesquisa Quaest. A candidatura ainda está tentando decolar. O marqueteiro já mudou de lugar.
O Discord suspendeu transmissões ao vivo e compartilhamento de vídeo no Brasil após determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A medida veio depois de falhas na proteção de menores. No caso de uma adolescente de 13 anos, a plataforma admitiu que levou cerca de duas horas para derrubar uma transmissão após um alerta de risco.
Agora, as lives ficam fora do ar até que sejam comprovadas medidas de proteção mais eficientes. Mensagens, servidores e chamadas apenas de áudio continuam funcionando. A empresa classificou a situação como séria e disse que trabalha para recuperar os recursos. Séria, aparentemente, só depois que o botão de live foi apertado pelo governo.
A suspensão tem como base o ECA Digital, que estabelece regras para proteger crianças e adolescentes no ambiente virtual e prevê sanções para plataformas que descumprirem as normas.
No fim, a internet ganhou mais uma regra simples: se não consegue proteger quem está do outro lado da tela, talvez seja hora de desligar a câmera.
A criatividade do crime organizado parece não conhecer crise. Agora, a Polícia Civil descobriu um verdadeiro “RH das biqueiras” em Embu das Artes, na Grande São Paulo. O esquema recrutava, selecionava e distribuía funções para novos integrantes do tráfico. Tudo muito organizado. Só faltou o vale-refeição.
A estrutura, porém, acabou encontrando um departamento que não estava no planejamento: a Polícia Civil. Cinco suspeitos foram presos durante uma operação que cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão. Celulares, drogas e uma motocicleta usada nas entregas também foram apreendidos. A cada nova modalidade, os criminosos mostram que criatividade não falta. Ainda bem que, do outro lado, também existe investigação, inteligência e polícia para desmontar a “empresa”.
Tem falso advogado, falso policial, falso entregador, falso técnico, falso funcionário de banco e até falso mecânico. Quando parece que a criatividade chegou ao limite, aparece mais um golpe para provar o contrário. A lógica é quase sempre a mesma: muda o uniforme, muda a história e tenta ver se a vítima acredita.
E a lista não para por aí. Tem golpe pelo celular, pelo Pix, pelo carro, pela portaria, pelo trânsito e até aproveitando supostos problemas que exigem uma decisão rápida. É tanta profissão usada como fantasia que, daqui a pouco, criminoso vai precisar atualizar o currículo antes de aplicar o golpe.
A diferença é que, enquanto eles inovam no crime, a Polícia Civil trabalha para identificar os métodos, prender os envolvidos e impedir que a criatividade vire rotina. Porque criatividade é ótima. Só seria melhor se estivesse sendo usada para outra coisa.