Farinha Lima
por Farinha Lima
Publicado em 05/08/2026, às 07h00
Depois da dor de cabeça com a Trivia Trens, Tarcísio de Freitas ganha mais um desafio: a greve dos ferroviários. Em plena pré-campanha, os trilhos parecem insistir em cruzar o caminho do governador. Se a estratégia era manter o debate longe do transporte público, a realidade tratou de mudar o roteiro. No ritmo em que as crises chegam, o maior adversário de Tarcísio pode acabar sendo o próximo trem que não sai da estação.
Na pré-campanha pela reeleição, Tarcísio de Freitas pode comemorar o índice de menos homicídios em SP, mas terá dificuldade para explicar o campeão de roubos e furtos de celulares. Para quem perde o aparelho, vêm junto os golpes financeiros, o acesso às contas bancárias e o pesadelo de ter a vida digital invadida. Estatística positiva rende discurso; recuperar o dinheiro levado pelos criminosos, nem tanto.
Ao lançar sua campanha presidencial em São Paulo, Lula sinaliza que pretende impulsionar novamente Fernando Haddad no maior colégio eleitoral do país. A estratégia, porém, carrega um precedente incômodo: em 2022, a dobradinha não foi suficiente para eleger Haddad ao governo paulista. Para 2026, o cenário ainda não é confortável para o petista, que aparece atrás de seu principal adversário nas pesquisas de intenção de voto no estado. Resta saber se repetir a fórmula de 2022 será suficiente para mudar esse quadro.
O ex-ministro de Bolsonaro que quer alçar voos maiores para uma cadeira no Senado parece que vai precisar abortar a missão. A Justiça eleitoral está em cima dele e a candidatura pode ir Rio Tietê abaixo e aí o Novo deve diminuir a sua influência no Congresso Nacional. Ele alfinetou André Valadão dizendo que não é bolsonarista raiz, mas ele que se cuide porque não vai mais poder passar a boiada. Além disso é réu em processo e a qualquer momento pode manchar a sua ficha criminal e ficar mal visto entre os colegas. O que sabemos, de verdade, é que Tebet e Marina Silva estão com um pé e meio no Senado Federal por São Paulo, então a representatividade feminina vai crescer. A nobre coluna segue atenta e mais novidades sobre a política paulista faremos questão de publicar.
Ricardo Nunes tentou reduzir Fernando Haddad ao chamá-lo de "professorzinho", mas a frase virou munição contra ele. Deputados recorreram ao Ministério Público alegando desrespeito à profissão de professor e pedindo providências.
Por algum tempo, o Supremo Tribunal Federal (STF) discutiu se pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) nível 1 deveriam ficar fora da isenção na compra de um carro. Como se inclusão também precisasse de um carimbo dizendo "suficiente".
No fim, a própria Corte decidiu que o grau do diagnóstico, sozinho, não pode excluir automaticamente ninguém do benefício. Melhor assim. Porque transformar um direito em teste de elegibilidade nunca foi exatamente sinônimo de inclusão.
Na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição, Lula resolveu simplificar o debate eleitoral. Ao defender as políticas de combate à violência contra a mulher, disparou: "Ou vota em mim ou bate na mulher". Em ano de campanha, o presidente decidiu que, entre conquistar votos e criar uma frase de efeito, dava para tentar os dois ao mesmo tempo.
A declaração rapidamente entrou para a coleção de frases que prometem render mais repercussão do que o restante do discurso. Afinal, em 2026, plano de governo dura alguns minutos. Corte para as redes sociais dura semanas.
Ricardo Nunes resolveu antecipar a retrospectiva eleitoral e concedeu um troféu nada disputado a Fernando Haddad: o de "pior prefeito que São Paulo já teve". Para sustentar o argumento, lembrou que, na tentativa de reeleição, o petista recebeu menos votos do que a soma de brancos e nulos.
Em campanha, currículo vira munição e memória seletiva ganha horário nobre. Se depender do prefeito, a disputa de 2026 já tem um ranking definido. Falta só convencer o eleitorado de que a urna também segue a mesma tabela.
A CPTM encontrou uma explicação confortável para a greve: a culpa é da "desinformação". A companhia garante que manteve diálogo, preservou os empregos e fez tudo certo. Se depender da nota oficial, o problema não foi a negociação, nem o conflito. Foi a greve ter acontecido.
Enquanto isso, quase 1 milhão de passageiros participaram da única reunião para a qual nunca são convidados: a de descobrir, em cima da plataforma, quem será responsabilizado pelo trem que não chegou. No fim das contas, a única categoria que nunca entra na negociação é justamente a que paga a passagem.
A campanha presidencial ganhou mais um duelo até mesmo na direita. O candidato Ronaldo Caiado resolveu classificar os concorrentes pelo meme: “Eu sou agro raiz, o Flávio é ‘sabor’ agro”. Traduzindo do marketing político, um se vende como produtor; o outro, como aromatizante.
Mas Caiado não parou na prateleira dos temperos. Disse que Flávio Bolsonaro “tem certidão de nascimento, não currículo” e ironizou a necessidade de recorrer ao pai para governar. A eleição mal começou e o agronegócio já agradece a publicidade gratuita.
A convenção do Republicanos em São Paulo misturou campanha, culto e homenagem. Reconfirmado candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas fez questão de lembrar quem lhe abriu as portas da política: “Nós amamos Jair Messias Bolsonaro”. O discurso teve mais declarações de afeto do que algumas festas de casamento.
Ao lado de Flávio, seu irmãozão, Tarcísio ainda convidou o público a imaginar um futuro em que São Paulo e o Palácio do Planalto caminham em sintonia. Entre promessas de metrô, trem e prosperidade, a banda gospel fez a trilha sonora.
Se depender dos frequentadores da Avenida Paulista, pode aumentar o volume. Ou quase isso. Pesquisa do Datafolha mostrou que 92% aprovam a realização de grandes shows gratuitos na avenida, que também recebeu notas altas em organização, segurança e lazer. A Paulista Aberta parece ter encontrado um raro consenso paulistano: reclamar menos e aproveitar mais.
Nem tudo, porém, escapou da tradicional assembleia de condomínio a céu aberto. A maioria também defende que a Prefeitura do querido Ricardo Nunes coloque alguma ordem na disputa sonora entre artistas de rua. Afinal, São Paulo adora um grande evento.
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