Farinha Lima
Publicado em 27/05/2026, às 07h00 Foto: Criada por IA Redação BNews São Paulo
A crise do Banco Master resolveu fazer escala até nos cemitérios de São Paulo. Agora, o Ministério Público anexou à investigação das concessões funerárias uma representação que mira possíveis ligações entre o banco e a Cortel, além de uma suposta distração conveniente da fiscalização da prefeitura de Ricardo Nunes.
Ricardo Nunes conseguiu transformar uma investigação sobre possível superfaturamento de garrafas d’água em um caso de polícia verbal. Ao chamar um promotor de “idiota” diante de empresários, o prefeito de São Paulo agora ganhou de brinde uma denúncia por injúria assinada pelo próprio procurador-geral de Justiça.
A gripe de Tarcísio de Freitas apareceu na hora exata. O governador paulista sumiu justamente do evento que reuniu Guilherme Derrite e Flávio Bolsonaro, em meio ao furacão provocado pelos áudios revelados pelo The Intercept sobre a relação do senador com Daniel Vorcaro. Oficialmente, faltou voz. Politicamente, talvez tenha sobrado instinto de sobrevivência.
Flávio Bolsonaro passou meses cobrando investigação rigorosa sobre o caso Master, discursando contra “blindagem” e “proteção política”. Agora, depois dos áudios comprometedores sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, aliados começam a descobrir subitamente as virtudes da cautela, do silêncio e até das licenças médicas estratégicas.
A promessa era espalhar internet gratuita pelas comunidades de São Paulo, mas o sinal mais forte até agora parece ser o da confusão. O Ministério Público e a Polícia Civil investigam um contrato milionário da prefeitura com a ONG Instituto Conhecer Brasil, ligada à empresária Karina Gama, também produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Dos 5 mil pontos de wi-fi prometidos, quase dois mil continuam offline.
O Tribunal de Contas de São Paulo resolveu apertar o freio numa licitação de R$ 106 milhões para coleta e tratamento de lixo em São José do Rio Preto. O edital juntava cinco serviços diferentes num único pacote e ainda cobrava experiência em uma tecnologia raríssima no Brasil, com processamento mensal de 15 mil toneladas de rejeitos em uma Usina de Tratamento Mecânico-Biológico. Resultado: a concorrência foi parar no lixo antes mesmo da abertura dos envelopes.
Depois de uma temporada romana e com passagem relâmpago pela lista vermelha da Interpol, uma influenciadora acostumada a movimentar milhões de seguidores descobriu que o algoritmo mais temido continua sendo o do Coaf. No enredo, depósitos fracionados, transportadora de cargas, contas de terceiros e personagens conhecidos do submundo financeiro formam uma trama digna de streaming premium.
Enquanto uns juram que era tudo negócio legítimo e outros falam em camadas de aparente legalidade, investigadores seguem tentando entender por que o caixa de uma empresa do interior parecia ter tanta afinidade com o universo dos carros de luxo, mansões e publis milionárias.
Em meio ao enredo do Banco Master, há quem esteja empenhado em atualizar o CEP da crise. A versão mais recente sustenta que o problema não mora na Praça dos Três Poderes, mas nos arredores da Faria Lima, onde títulos foram vendidos, fortunas circularam e os órgãos de fiscalização pareciam ocupados demais para notar a fumaça.
Enquanto ministros explicam amizades, eventos em Lisboa lotam auditórios e códigos de ética viram tema de novela institucional, o esforço coletivo é para provar que a conta chegou ao endereço errado. Se colar, Brasília fica com o debate e a avenida dos bancos com o boletim de ocorrência.
Em um dos templos de vidro e QR Code da Faria Lima, um seleto grupo de empresárias milionárias se reuniu para discutir um drama que nem os relatórios trimestrais conseguem resolver: a solidão do topo. Entre cafés especiais, granola artesanal e decisões de oito dígitos, a conclusão foi que há problemas que nem as melhores amigas, o marido ou o LinkedIn conseguem compreender.
Afinal, renegociar contratos milionários e decidir demissões em massa não costuma render boas conversas no grupo do WhatsApp. A solução encontrada foi criar uma espécie de terapia executiva premium, onde CEOs trocam angústias sob cláusula de confidencialidade e sem o risco de encontrar concorrentes na mesa ao lado.
Na avenida onde todo mundo parece ter as respostas, o novo luxo talvez seja admitir que também existem dúvidas.