Farinha Lima
Publicado em 26/08/2026, às 07h00 Foto: Criada por IA Farinha Lima
João Mansur, fundador da Reag, estaria em tratativas para uma delação. E, se resolver abrir o jogo sobre o esquema envolvendo o Master e o fundo de investimento, tem muita gente importante que pode acabar entrando na história.
Empresários, prefeitos, governadores, advogados conhecidos e até artistas podem aparecer no caminho.
Por enquanto, ninguém sabe exatamente o que Mansur teria para contar. Mas, pelo visto, tem gente torcendo para que ele continue bem calado.
O STF ganhou mais um capítulo para a coleção de rachas internos, mas desta vez é com Flávio Dino e André Mendonça disputando, ainda que indiretamente, o protagonismo em investigações que passam por “Dark Horse” e pelo filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Os dois relatam casos com personagens e fatos semelhantes, cenário bastante conveniente para quem gosta de chamar de “independência entre ministros”.
Dino investiga a destinação de emendas para a produtora do filme em homenagem a Jair Bolsonaro, enquanto Mendonça ficou com uma apuração que também alcança a obra após a revelação de conversas envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. E, como se dois ministros, duas turmas e investigações sobre assuntos parecidos já não fossem suficientes, ainda há os pedidos contra Lulinha distribuídos entre os dois. Vale lembrar que as eleições já estão aí.
Romeu Zema decidiu radicalizar o discurso contra as bets e encontrou uma comparação nada discreta: para o candidato, apostar online é quase uma versão digital da cocaína.
Em encontro com evangélicos em Belford Roxo, no Rio, o ex-governador de Minas Gerais classificou as plataformas como “praga e desgraça” e prometeu proibir o mercado caso suba a rampa do Planalto.
O problema, segundo Zema, é que o vício não desapareceria só porque a lei mudou, exatamente como acontece com a cocaína. A solução seria usar tecnologia para perseguir os sites clandestinos.
O candidato, que no dia anterior havia faltado ao primeiro debate presidencial, encontrou então outro palco para falar de vício: a própria política.
O primeiro debate presidencial de 2026 teve uma curiosidade difícil de ignorar: os três nomes mais conhecidos convidados resolveram não aparecer. Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema ficaram fora do palco da Band, deixando para Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado a tarefa de discutir o futuro do país e, principalmente, explicar por que os colegas não estavam ali.
Renan chegou com fraldas geriátricas estampando os nomes de Lula e Flávio, enquanto Caiado chamou os dois de “fujões”. Augusto Cury chegou a anunciar que também abandonaria o debate por considerar a ausência dos principais candidatos uma “irresponsabilidade”, mas voltou atrás minutos depois. No fim, quem apareceu teve de discutir propostas; quem faltou virou a principal pauta. Uma estratégia eleitoral bastante econômica.
O governo federal quer levar ao Congresso um salário mínimo de R$ 1.741 em 2027, alta de R$ 120 sobre o valor atual. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o reajuste representará ganho real de 2,4% e reforça a prioridade do governo sobre a população de menor renda.
A conta, claro, não termina no contracheque. Como o salário mínimo também serve de referência para aposentadorias, seguro-desemprego e abono salarial, cada real a mais se multiplica pelas contas públicas.
O governo chama de ganho real; o orçamento chama de despesa obrigatória. E o trabalhador, provavelmente, chama de “já ajuda”, porque R$ 1.741 continuam precisando durar o mês inteiro.
A Braskem resolveu procurar uma saída antes que os credores resolvessem procurar a empresa primeiro. Com uma dívida de US$ 10,9 bilhões, cerca de R$ 56 bilhões, a companhia entrou com pedido de recuperação extrajudicial para negociar diretamente com os credores e tentar reorganizar a casa antes de chegar à recuperação judicial.
O problema é que a casa tem alguns cômodos bastante caros. O setor petroquímico enfrenta excesso de oferta, margens apertadas e demanda fraca, enquanto a Braskem viu o custo dos produtos vendidos consumir cerca de 96% da receita líquida. Bancos queriam garantias e um empréstimo de US$ 700 milhões; a empresa não topou.
Entre dívida bilionária, notas de crédito rebaixadas e o passivo ambiental de Alagoas, a Braskem descobriu que recuperação pode ser extrajudicial, mas a conta continua bastante judicializada.
Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a prestação de contas dos R$ 61 milhões pedidos a Daniel Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro. Prometeu apresentar os dados em 30 dias. Já se passaram mais de três meses.
Agora, em vez das contas, veio Lula: segundo Flávio, quem deve prestar explicações é o presidente.
Enquanto isso, a produção declarou ter custado R$ 75,1 milhões, mas a perícia apresentada não trouxe recibos ou notas fiscais para comprovar os gastos.
Pelo visto, Dark Horse ganhou uma estratégia de divulgação: perguntam sobre o filme, respondem sobre Lula.
Tarcísio faltou a agendas de Flávio em São Paulo, mas garante que está firme na campanha. Segundo ele, a divisão é boa: enquanto um pede voto em um lugar, o outro pede em outro.
Na prática, parece aquela parceria em que todo mundo diz que está junto, mas ninguém quer aparecer muito na foto.
E quando perguntaram sobre 2030, Tarcísio desconversou. Disse que agora pensa em 2026 e que o resto é “projeto de Deus”.
Pelo jeito, Deus já recebeu o calendário eleitoral.
Flávio Bolsonaro quer um pacto com Tarcísio para acabar com a reeleição presidencial. A regra já valeria para o próximo mandato e ajudaria a garantir o apoio do governador à campanha.
Tarcísio diz que não está pensando em 2030. Flávio, aparentemente, está.
A eleição de 2026 nem aconteceu e já tem gente negociando o mandato seguinte.
João Doria descartou voltar à vida pública e disse que não pretende disputar novos mandatos. Aos 68 anos, o ex-governador afirmou que não guarda mágoas da política, mas prefere seguir fora das urnas.
Em entrevista ao Terra, Doria apontou que sua principal lição na política foi aprender a ouvir mais e ter paciência. A experiência, porém, aparentemente não foi suficiente para convencê-lo a tentar mais uma eleição.
Ouviu, aprendeu e decidiu ficar longe do microfone eleitoral.
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 30% cada na nova pesquisa Quaest entre os eleitores de São Paulo.
Marçal aparece bem atrás, com 4%, enquanto Ronaldo Caiado e Renan Santos têm 3% cada.
Por enquanto, a eleição paulista está daquele jeito: dois na frente, vários tentando chegar e o eleitor aparentemente sem muita pressa para decidir.
Se depender da pesquisa, São Paulo resolveu assistir à disputa de camarote antes de escolher o lado.
A “pejotização” voltou ao centro do debate. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu medidas para combater o uso de pessoas jurídicas quando o modelo substitui vínculos formais de trabalho e reduz a contribuição para a Previdência.
A equipe econômica estuda criar regras para empresas que concentram grande parte dos funcionários como PJ. Pela ideia apresentada, ter uma parcela pequena nesse formato seria normal. Já chegar a 80% da força de trabalho poderia exigir uma contribuição previdenciária maior.
No fim, a conta é curiosa: quanto mais gente vira PJ, menos entra na Previdência. E agora o governo quer descobrir quem ficou com a conta. A proposta ainda está em estudo e poderia ser enviada ao Congresso em um eventual novo mandato de Lula.
As grandes redes estão fechando unidades, pedindo recuperação judicial e tentando descobrir como sobreviver ao novo jeito de comprar. Juros altos, dívidas, comércio eletrônico e concorrência internacional apertaram a conta.
Casas Bahia, Marabraz, Sears e uma tradicional rede alemã estão entre os exemplos. Enquanto isso, o consumidor compara preço no celular, compra de qualquer lugar e ainda precisa decidir se o dinheiro vai para uma compra ou para a bet. Em 2025, as famílias brasileiras gastaram R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas.
A velha fórmula de loja enorme, estoque cheio e crediário ficou cara demais. Agora o varejo descobriu que, para vender, talvez não precise mais de uma loja enorme. Só de uma estratégia que pague as contas.