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Farinha Lima

Mordomia pública

Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a verba pública parece não ter limite quando o assunto é bancar os gabinetes  |  Foto: Reprodução/Rodrigo Costa/Alesp

Publicado em 04/11/2026, às 06h00   Foto: Reprodução/Rodrigo Costa/Alesp   Farinha Lima

Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a verba pública parece não ter limite quando o assunto é bancar os gabinetes. De janeiro a setembro de 2026, foram R$ 26,4 milhões em despesas. A maior fatia foi para divulgação parlamentar (R$ 5,14 milhões), materiais gráficos e cópias (R$ 4,28 milhões), aluguel de imóveis (R$ 4,12 milhões) e bens móveis (R$ 2,42 milhões). Também entraram na conta serviços técnicos e pesquisas (R$ 2,15 milhões), combustíveis (R$ 1,70 milhão), veículos de representação (R$ 1,40 milhão), hospedagem, alimentação e locomoção (R$ 1,31 milhão), materiais de escritório (R$ 722 mil), moradia (R$ 717 mil), assinaturas, internet e softwares (R$ 679 mil) e manutenção de imóveis e equipamentos (R$ 556 mil).

A lista ainda inclui aluguel de veículos de apoio (R$ 472 mil), telefone, energia, água e gás (R$ 455 mil), serviços de comunicação (R$ 226 mil), pedágios (R$ 94 mil) e conservação de veículos (R$ 1,2 mil). É divulgação para aparecer, gráfica para imprimir, aluguel para acomodar e combustível para circular. Na Alesp, parece que o mandato vem com pacote completo. A conta, claro, fica para o contribuinte.

Gabinete de luxo

Na Câmara Municipal de São Paulo, cada vereador pode utilizar até R$ 432.225 por ano para custear despesas do gabinete. A média mensal chega a R$ 36.018,75, destinados a serviços gráficos, correios, deslocamentos pela cidade e materiais de escritório. O ressarcimento exige notas fiscais ou documentos equivalentes. A Casa também mantém contratos centralizados para locação de veículos, correios e reprografia, mas tudo entra na conta do mesmo teto anual. E a estrutura não para por aí: a lista de benefícios inclui auxílio-alimentação de R$ 2.111,42 e benefício nutricional de R$ 1.428 mensais para servidores, além de reembolsos individualizados de auxílio-saúde. No fim, entre verba de gabinete, serviços e benefícios, a máquina pública tem uma conta generosa. Para quem banca tudo isso, fica a pergunta: será que não há espaço para cortar os excessos?

Chilli Beans e o molho baiano

Foto: Divulgação

Não faz muito tempo a Farinha Lima trouxe a nobre informação de um empresário baiano de que a galera da Faria Lima não entende muito de gestão empresarial. Ele voltou e cravou uma notícia que o BNews SP deu sobre a decadência da Chilli Beans. A empresa está em recuperação extrajudicial com prejuízo de R$ 340 milhões e, segundo a nobre fonte da Bahia, o dono está com o CPF recheado de dinheiro e o CNPJ despencando do Everest. Trouxerem um vice-presidente que não tem o perfil para resolver o B.O e não chamaram uma mão de obra especializada da terra do dendê para dar jeito no imbróglio. Vamos esperar os próximos capítulos.

A turnê do caos

Foto: Reprodução/Redes Sociais/@bts.bighitofficial

A passagem do BTS por São Paulo em outubro movimentou milhares de fãs, mas também acumulou uma sequência de problemas. Nos shows realizados no MorumBIS, a estrutura virou alvo de reclamações pela oferta de apenas quatro telões, enquanto apresentações em outros países contaram com 12 telas e visibilidade em 360 graus. A insatisfação chegou ao Procon-SP e ao Ministério Público, que notificaram a Live Nation e a Ticketmaster para cobrar explicações. A produtora alegou questões logísticas e de cronograma. Fora do estádio, a superlotação na estação São Paulo-Morumbi também gerou queixas. Ainda assim, a Linha 4-Amarela bateu recorde desde a pandemia, com quase 817 mil passageiros em um único dia. A estação Vila Sônia também registrou marca histórica, com 64 mil clientes.

E não parou por aí. A venda de ingressos atraiu golpistas, que criaram páginas falsas para imitar plataformas oficiais e direcionar pagamentos via Pix. Nas redes sociais, a influenciadora Pietra Bertolazzi entrou em conflito com integrantes do ARMY após criticar a aparência e a postura dos artistas durante uma apresentação na Copa do Mundo de 2026. A discussão evoluiu para denúncias de ameaças, difamação, calúnia e divulgação de dados pessoais, levando o caso à Divisão de Crimes Cibernéticos de São Paulo. No fim, o BTS entregou shows lotados, recordes de público e muita repercussão. Mas, entre telões insuficientes, metrô cheio, golpes e brigas virtuais, a passagem do grupo também transformou São Paulo em um palco de confusões. O espetáculo não ficou restrito à música.

Procura-se: o fujão

Foto: Reprodução/X

Flávio Bolsonaro ganhou cartazes de “Procurado” em estações de metrô e ruas de Nova York. A ação foi feita por uma brasileira fantasiada na noite de Halloween, com imagens que pedem a deportação do senador e o acusam de crimes contra a democracia. A brincadeira, porém, não ficou só nas paredes: bolsonaristas reagiram, acionaram autoridades americanas e passaram a ameaçar a mulher nas redes sociais. Renata Díaz ainda teve dados pessoais vazados, incluindo endereço e local de trabalho. Flávio atravessou a fronteira, mas a confusão política foi junto. E, pelo visto, o Halloween ainda não acabou.

Justiça deu a resposta 

O empresário Fernando Sastre Filho achou que sairia ileso após se envolver em um acidente que resultou na morte de um motorista por aplicativo e acabou condenado em júri popular a mais de 15 anos de prisão em regime fechado. O MP recorreu e quer que a pena seja aumentada para mais de 20 anos de cadeia. A justiça pode até demorar, mas trás a resposta à altura. O réu, inclusive, confessou que ingeriu água que passarinho não bebe.

Covarde de carteirinha

Foto: Reprodução/TV Globo

Denis Young Kim, suspeito de agredir um idoso de 79 anos em Osasco, está sendo procurado pela polícia. O motorista desceu do carro, deu uma voadora nas costas de um idoso que caminhava com muletas e ainda pisou em sua cabeça. O ataque foi registrado como tentativa de homicídio por motivo fútil. A Justiça decretou a prisão temporária, mas o suspeito sumiu. Vizinhos disseram que ele recolheu alguns pertences e deixou o imóvel. Para atacar, teve coragem. Para aparecer diante da polícia, até agora, não.

E não é a primeira vez que Denis aparece em um caso de violência. Em 2021, foi condenado a 14 anos de prisão por matar um carroceiro com uma flechada no pescoço, após uma discussão de trânsito. Também foi acusado de tentar matar o padrasto a facadas e de violência doméstica. Desde setembro de 2025, cumpria a pena em regime aberto. Agora, a Polícia Federal foi avisada sobre uma possível fuga. O histórico pesa, a lista de vítimas aumenta e o suspeito segue fora de alcance. Covardia contra quem não pode revidar, pernas ligeiras diante da Justiça.

A casa caiu

Foto: Reprodução

Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de bens do advogado Willer Tomaz, incluindo a mansão em Angra dos Reis (RJ) que ele disputa com o atacante Richarlison. O jogador afirma que o imóvel foi tomado por Willer. A propriedade, que já pertenceu à cantora Clara Nunes, agora também entrou no radar da Justiça.

A decisão faz parte de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo apostas on-line. Willer teve bens bloqueados até o limite de R$ 6 bilhões, passaportes cancelados e deixou o Brasil em agosto, sem retornar até agora. O advogado ainda tem uma disputa imobiliária com Richarlison, um inquérito sobre apostas e uma mansão indisponível. O patrimônio está tão movimentado que até a casa perdeu o direito de ir e vir.

Dados à solta

Foto: Rovena Rosa/Agencia Brasil

O Smart Sampa virou alvo de uma segunda investigação após outro vazamento de informações. Desta vez, o UOL teve acesso a links de mais de 17 mil câmeras instaladas em locais privados, incluindo condomínios e residências de autoridades e políticos. A Prefeitura de São Paulo afirma que o envio da planilha configura um novo crime e nega que tenha ocorrido ataque ao sistema.

O episódio se soma ao vazamento anterior, quando dados de 58 mil câmeras e 181 logins e senhas de usuários autorizados foram expostos em um repositório público, conforme reportagem do UOL. Na ocasião, a gestão afastou um servidor e afirmou ter reforçado a segurança da plataforma. Agora, com mais um caso sob investigação, o Smart Sampa acumula episódios de exposição de dados. Para um sistema de vigilância, a falta de controle virou assunto recorrente.

Alô, Moraes!

Foto: Reprodução/Vídeo

Jair Bolsonaro pediu autorização a Alexandre de Moraes para receber técnicos da Vivo em sua prisão domiciliar. A equipe deve fazer reparos nos serviços de internet e televisão na próxima sexta-feira (6), caso o ministro libere a entrada. A defesa não explicou quais problemas motivaram o chamado, mas já havia relatado dificuldades com a Claro. Entre uma operadora e outra, o ex-presidente tenta garantir que a conexão não caia. Afinal, até em prisão domiciliar, ficar sem TV e internet parece ser demais.

Segue respirando

Foto: Reprodução/Douglas Ferreira/REDE CÂMARA SP

A Câmara Municipal de São Paulo arquivou o pedido de impeachment contra Ricardo Nunes (MDB), acusado de reduzir a frota de ônibus no segundo turno das eleições, mesmo com determinação judicial para manter 100% dos veículos nas ruas. A prefeitura informou que operou com 8.814 dos 12 mil ônibus, cerca de 71% da frota. A oposição apontou descumprimento da ordem judicial, mas a denúncia não passou pela comissão especial: foram cinco votos pelo arquivamento e dois contrários.

O relator, Major Palumbo (PP), alegou falta de provas de que a redução tivesse prejudicado os eleitores. Nunes, que criticou a decisão judicial na época, agora se livra do impeachment com a ajuda da maioria na Câmara. O prefeito segue respirando, mas a oposição promete continuar de olho. No domingo da eleição, faltaram ônibus. Na comissão, faltaram votos contra o prefeito.

Refúgio celestial

Foto: Reprodução/Celeiro House of Prayer no Instagram

Flávio Bolsonaro escolheu uma igreja na Flórida para sua primeira aparição pública desde que deixou o Brasil após a derrota nas urnas. Ao lado do irmão, Eduardo, e da esposa, Fernanda, participou de um culto na igreja Celeiro. Por lá, ouviu do pastor Paizão que, com Jesus, ninguém perde. O senador, que questionou o resultado eleitoral sem apresentar provas e chegou a se declarar presidente eleito, parece ter encontrado um endereço para buscar conforto depois da derrota. Na política, porém, a bênção não muda a contagem dos votos.

Caiu na rede

Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Um ano após o Instagram desativar o perfil do sociólogo e influenciador Thiago Torres, conhecido como Chavoso da USP, parlamentares e movimentos de esquerda querem levar o protesto até a porta da Meta, em São Paulo. A conta, que reunia mais de 1 milhão de seguidores, foi retirada do ar em 16 de novembro de 2025, sob a justificativa de descumprimento dos padrões da comunidade. Desde então, o influenciador mantém um perfil reserva.

Deputados e lideranças de esquerda, como Luna Zarattini, Jones Manoel, Fábio Félix, Eduardo Suplicy e Humberto Matos, passaram a divulgar a convocação do ato. Os parlamentares defendem a volta da conta e alegam que a suspensão prejudica a liberdade de expressão e a presença de vozes periféricas nas redes. A Meta ainda não se manifestou. Um ano depois, a esquerda quer explicações. A plataforma, por enquanto, segue no modo silencioso.

Quem leva a grana?

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Onze clubes de futebol foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) tentar barrar a proibição das bets no Brasil. Em audiência conduzida pelo ministro Luiz Fux, dirigentes alertaram para perdas milionárias em patrocínios, direitos de transmissão e empregos. O Flamengo calcula um prejuízo de R$ 430 milhões e até 1,2 mil postos de trabalho afetados. Enquanto o governo aponta os danos do vício em apostas, os clubes parecem mais preocupados com o dinheiro que pode sair de campo.

Do outro lado, supermercados comemoram. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) atribuem à proibição parte do crescimento das vendas em outubro. Na semana de 12 a 18, o faturamento do varejo alimentar subiu 6,9%, e o volume vendido avançou 1,8%, segundo a NielsenIQ. No fim das contas, a mesma medida que ameaça o caixa dos clubes pode estar reforçando o carrinho dos brasileiros. Tem gente perdendo patrocínio e gente ganhando cliente.

Na rota da omissão

Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação

O governo de Javier Milei foi questionado sobre uma possível ajuda na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo aos Estados Unidos. A resposta do porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, foi chamar o assunto de “irrelevante” e afirmar que o senador entrou na Argentina com documentação regular. Sobre o presidente argentino saber ou não da passagem, porém, preferiu não esclarecer. Flávio, investigado em dois inquéritos por lavagem de dinheiro no Brasil, passou pela Argentina, embarcou em um jatinho com escala no Equador e chegou a Miami usando passaporte italiano, apesar da apreensão dos documentos brasileiros determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No fim, a fuga ganhou escala internacional, mas a responsabilidade parece não ter encontrado endereço.

Pedágio nas alturas

Foto: Divulgação/CNL

O motorista paulista vai pagar mais caro para circular por rodovias concedidas. Desde 1º de novembro, os pedágios eletrônicos administrados pela Concessionária Novo Litoral (CNL) tiveram reajuste de 4,58%, elevando as tarifas em cinco pontos de cobrança no Alto Tietê, na Baixada Santista e no Vale do Ribeira. Em Bertioga, por exemplo, a passagem passou a custar R$ 7,27. O governo diz que o aumento acompanha a inflação e está previsto em contrato. Para quem enfrenta as estradas, fica a conta: o preço sobe, mas a sensação de encontrar uma infraestrutura bem cuidada nem sempre acompanha o reajuste.

Boicote à democracia

Foto: Marianna Bonaccini / Agencia Alesp

Parece que, para alguns, a democracia termina na urna. O deputado estadual Emidio de Souza (PT) acionou o Ministério Público de São Paulo para pedir a investigação de listas de boicote a comerciantes e profissionais identificados como simpatizantes de Lula. Os episódios foram registrados em Tanabi, São José do Rio Preto, Mirassol, Votuporanga e Pirassununga. O parlamentar também pediu que seja apurada uma possível participação de agentes públicos.

Emidio ainda cobrou posicionamentos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da FecomercioSP contra ameaças de demissão, dispensas discriminatórias e recusas de contratação por motivação política. Segundo dados do Ministério Público do Trabalho citados pelo deputado, foram registradas 3.396 denúncias de assédio eleitoral em 2026, sendo 620 em São Paulo. O parlamentar também pediu providências ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) após ataques de um cardiologista a apoiadores de Lula. Pelo visto, há quem não se contente em discordar do voto alheio: quer decidir também quem pode trabalhar, vender e ser contratado.

Farda nova, padrinho velho?

Foto: Divulgação/Charles Vieira

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a derrota eleitoral parece ter mexido com os planos da direita. A saída do senador, sem reconhecer o resultado das urnas nem dar satisfação aos eleitores, provocou críticas entre integrantes das Forças Armadas, que passaram a questionar a lealdade do filho de Jair Bolsonaro. Enquanto isso, Tarcísio de Freitas ganha terreno na caserna. Capitão da reserva do Exército, o governador de São Paulo já era apontado como favorito entre os militares e agora recebe apoio ainda maior. De olho em 2030, Tarcísio também admitiu considerar uma candidatura ao Planalto. Flávio foi para os Estados Unidos, mas a sucessão bolsonarista parece ter ficado por aqui. E a farda já tem outro nome no radar.

Recuo dos céus?

Foto: Reprodução/Record

Os desenhos bíblicos da Record perderam a classificação livre e passaram a ser recomendados para maiores de 12 anos. O Ministério da Justiça apontou violência, atos criminosos, drogas lícitas e preconceito nas animações. Com a mudança, a recomendação era exibir o programa após as 20h, mas não havia proibição de transmiti-lo em outros horários.

Após a repercussão, o ministério marcou uma reunião nesta terça-feira (3) para reavaliar a decisão e voltou atrás. A pasta restabeleceu a classificação livre e admitiu que a análise anterior não considerou integralmente os critérios previstos em seu guia, incluindo o contexto cultural e religioso das histórias. A classificação também foi contestada na Justiça por um advogado, que acusou o governo de censura e perseguição religiosa. No fim, a novela teve reviravolta e os desenhos voltaram a ser livres.

Bomba política

Foto: Divulgação/GESP

O aumento do ICMS sobre combustíveis virou mais um ringue entre Guilherme Boulos e Tarcísio de Freitas. A partir de 1º de fevereiro de 2027, o diesel terá alta de 11,1%, enquanto gasolina e gás de cozinha subirão 4,5% e 4,8%, respectivamente. Boulos acusou o governador paulista de aumentar impostos após passar a campanha criticando a carga tributária. Tarcísio rebateu e lembrou que o reajuste foi aprovado por unanimidade no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), inclusive por estados governados pelo PT. No meio do fogo cruzado, sobra para o consumidor abastecer o carro e pagar a conta.

Vorcaro sem fronteiras

Foto: Reprodução/PF

Preso preventivamente desde março, Daniel Vorcaro decidiu levar a disputa pela liberdade para fora do Brasil. A defesa do ex-controlador do Banco Master acionou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, alegando violações de direitos e demora do Supremo Tribunal Federal (STF) para analisar o pedido de soltura apresentado em setembro. Os advogados também questionam a falta de revisão da prisão a cada 90 dias e afirmam que ainda não há denúncia formal contra o banqueiro.

Enquanto isso, a Polícia Federal (PF) indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes envolvendo R$ 12,2 bilhões em créditos considerados fictícios. Com a Papudinha no roteiro e o STF sem liberar a saída, a defesa agora tenta internacionalizar o pedido. A liberdade, ao que tudo indica, virou uma questão de fronteiras.

PEC no sufoco

Foto: Reprodução/Michel Jesus/Câmara dos Deputados

O governo Lula conseguiu avançar com a PEC da Segurança Pública no Senado. A proposta foi aprovada em primeiro turno nesta terça-feira (3), mas ainda precisa passar por uma segunda votação. A pressa do Planalto é concluir a tramitação ainda neste ano, antes que um Congresso mais conservador, a partir de 2027, complique as negociações. Considerada prioritária pelo governo, a proposta prevê a integração das forças de segurança no combate ao crime organizado e pode abrir caminho para a recriação do Ministério da Segurança Pública.

A redução da maioridade penal, que provocou um impasse entre governo e oposição, ficou de fora da votação. O plenário decidiu que as emendas do PL e do PT tramitarão separadamente. Enquanto o PL defende reduzir a maioridade para 16 anos em crimes de menor gravidade e 14 nos hediondos, o PT propõe a redução para 16 anos apenas em crimes hediondos. A separação evita que a disputa trave a PEC, mas não encerra a briga. Em Brasília, a segurança avançou um turno, mas a queda de braço pela maioridade continua.

Haja esperança!

Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

O PT se animou com o desempenho de Lula em São Paulo e já alimenta o sonho de disputar a Prefeitura em 2028. A votação do presidente cresceu no segundo turno, passando de 46,5% para 55,5%, e deu novo fôlego aos planos petistas. A empolgação, porém, precisa driblar um histórico de derrotas nas urnas paulistas. Marta Suplicy perdeu a reeleição em 2004 e voltou a ser derrotada em 2008. Fernando Haddad perdeu a Prefeitura para João Doria em 2016 e o governo estadual para Tarcísio de Freitas em 2022 e 2026. Guilherme Boulos também ficou pelo caminho duas vezes, diante de Bruno Covas, em 2020, e Ricardo Nunes, em 2024. No governo de São Paulo, o PT ainda acumula derrotas de nomes como José Genoino, Aloizio Mercadante e Alexandre Padilha.

Agora, com Haddad, Boulos, Alexandre Padilha e Luna Zarattini entre as possibilidades, o partido tenta encontrar alguém capaz de quebrar a sequência. Simone Tebet também aparece como alternativa, enquanto o grupo de Ricardo Nunes já articula possíveis sucessores. Depois de tantas tentativas frustradas, o PT parece ter recuperado a esperança. Resta saber qual nome vai colocar em jogo para tentar, mais uma vez, conquistar São Paulo.

Classificação Indicativa: Livre


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