Farinha Lima
Publicado em 08/07/2026, às 07h00 Foto: Criada por IA Farinha Lima
Quem apostava que Tarcísio de Freitas tinha o PSD de Gilberto Kassab no bolso acaba de descobrir que, em política, contrato de exclusividade costuma ser só imaginação. Ao aceitar compor como vice na chapa de Ronaldo Caiado, Kassab fez um movimento que bagunça o tabuleiro da direita e deixa o governador paulista com mais perguntas do que respostas. O recado foi claro: o PSD joga o próprio jogo e não entra em fila de ninguém. No xadrez de 2026, Tarcísio percebeu que, enquanto planejava a próxima jogada, Kassab já tinha mexido todas as peças.
Se depender dos presidenciáveis, a corrida de 2026 nem parece nacional: virou uma disputa para ver quem estreia primeiro em São Paulo. Lula, Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro, Renan Santos e até Romeu Zema já colocaram o estado no roteiro dos respectivos lançamentos ou pré-lançamentos. O recado é óbvio: quem sonha com o Palácio do Planalto quer, antes, conquistar a Avenida Paulista. Pelo visto, Brasília continua sendo a capital do país, mas a largada da eleição mudou de endereço.
Tarcísio de Freitas segue colecionando números que fazem qualquer marqueteiro dormir tranquilo. Segundo o Datafolha, 45% dos paulistas avaliam o governo como ótimo ou bom e 63% aprovam seu mandato. O detalhe curioso é que quase metade dos entrevistados acha que ele entregou menos do que esperava.
Na mesma Datafolha, Tarcísio de Freitas aparece com 46% das intenções de voto, contra 30% de Fernando Haddad, além de exibir índices de avaliação superiores aos registrados por boa parte dos antecessores no mesmo período de mandato. Para o petista, a campanha promete ser uma maratona em subida: além de reduzir a diferença nas pesquisas, terá de convencer o eleitorado de que ainda há espaço para virar um jogo.
Faltam dois anos para a eleição municipal de 2028, mas nos bastidores da Prefeitura de São Paulo a fila da sucessão já começou a andar. Aliados de Ricardo Nunes tratam de encontrar um herdeiro político que mantenha o grupo no comando da capital enquanto o prefeito mira voos mais altos em 2030.
Edson Aparecido lidera a bolsa de apostas para substituir Ricardo Nunes, mas a fila de pretendentes está longe de ser pequena. Também circulam nos corredores do poder os nomes de Fabrício Cobra, Sidney Cruz e Pedro Fernandes.
A disputa para compor as duas vagas do Senado em São Paulo também está acirrada.
As ex-ministras de Lula, Simone Tebet e Marina Silva, lideram o levantamento e estão empatadas tecnicamente. E a sequência de resultados quase iguais segue com Tebet, que também empata dentro da margem de erro com Ricardo Salles. Os bolsonaristas André do Prado e Guilherme Derrite estão empatados com Salles e se aproximam de Tebet.
Mas, o que chama a atenção mesmo na pesquisa é o alto índice de eleitores que dizem não saber em quem votar na pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes dos pré-candidatos: 81%. O número mostra que a população ainda não se ligou em eleição. Até isso acontecer, quem comemorar favoritismo estará errando feio o diagnóstico.
Flávio Bolsonaro atravessou o continente para tentar convencer os Estados Unidos de que um tarifaço contra produtos brasileiros faria mais mal do que bem… Inclusive para os próprios interesses americanos.
O pré-candidato ao Planalto ganha cinco minutos diante das autoridades comerciais dos EUA para pedir diálogo, defender o Pix e alertar que sobretaxas às vésperas da eleição poderiam acabar fortalecendo uma figura bem pouco conhecida: Lula.
O cenário tem um charme diplomático. Depois de anos em que o bolsonarismo apostou na proximidade com os americanos, agora cabe justamente a um Bolsonaro explicar por que os Estados Unidos deveriam pegar leve com o Brasil.
Depois de oito anos congelado, o teto de faturamento do MEI finalmente ganhou um plano para sair da geladeira. O governo propõe elevar o limite anual para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de permitir a contratação de um segundo funcionário. A conta, segundo a equipe econômica, custará R$ 8,1 bilhões em renúncia fiscal nos próximos três anos.
É aquele raro momento em que Brasília admite abrir mão de arrecadação sem parecer que está sofrendo fisicamente por isso. O discurso oficial fala em corrigir uma defasagem histórica; os microempreendedores chamam simplesmente de atualização da realidade.
A campanha presidencial descobriu, mais uma vez, que o caminho para o Planalto passa obrigatoriamente pela Marginal Pinheiros. Com Tarcísio de Freitas liderando com folga a disputa estadual, aliados de Flávio sonham com uma dobradinha capaz de transformar São Paulo em locomotiva eleitoral da direita. O plano inclui até mudar o quartel-general da campanha para a capital paulista.
Do lado petista, Lula tenta repetir a estratégia de 2022, cercando-se de ex-ministros e apostando em nomes como Fernando Haddad e Geraldo Alckmin para diminuir a vantagem adversária. O detalhe é que toda essa engenharia depende de um fator ainda incerto: se Tarcísio decidir vestir de vez a camisa da campanha nacional ou preferir preservar o capital político para voos mais altos em 2030.
Vorcaro descobriu que delação premiada também tem critérios de qualidade. Depois de duas propostas recusadas, a PGR decidiu encerrar de vez as negociações, concluindo que o material apresentado tinha excesso de “ouvi dizer”, poucas provas concretas e nenhuma disposição para admitir a própria responsabilidade pelos crimes investigados envolvendo o Master.
Em outras palavras, a colaboração chegou ao fim antes mesmo de começar de verdade. Para auxiliares de Paulo Gonet, não basta apontar o dedo para terceiros: é preciso assumir a própria parcela da história e oferecer algo que realmente faça a investigação avançar. Vorcaro apostou que uma troca de advogados poderia destravar o acordo. A PGR respondeu com uma mensagem curta e objetiva: expediente encerrado.