Farinha Lima
por Farinha Lima
Publicado em 01/07/2026, às 07h00
A Prefeitura de São Paulo tentou colocar mais uma lombada no caminho dos aplicativos de moto, exigindo um seguro extra para liberar a operação. Só que Xandão do STF acelerou na direção contrária e suspendeu a regra. Resultado: Uber e 99 seguem na pista.
A turma engravatada da Faria Lima descobriu que crachá de banco gigante não funciona como salvo-conduto. A Operação Disclosure bateu à porta de executivos dos maiores bancões do país e deixou muito figurão fazendo conta, mas não no Excel. O mercado, que adorava vender a ideia de que os grandões eram intocáveis, agora vê o famoso "risco sacado" da Americanas virar um risco bem mais indigesto.
Enquanto o discurso segue firme contra a velha política, o caixa das emendas continua funcionando sem burocracia em ano de eleição. Tarcísio liberou R$ 51,3 milhões em emendas Pix para deputados estaduais, beneficiando 131 municípios. No fim, muda o nome, muda o governo, mas a fila para distribuir recursos aos aliados segue andando rapidinho
Depois de anos defendendo privatizações, Tarcísio de Freitas resolveu puxar o freio do monotrilho. Ao concluir que a Linha 17-Ouro pode dar mais prejuízo do que lucro para a concessionária, o governador agora admite manter a operação nas mãos do Metrô.
Depois de ensaiar independência, resistir, fazer charme e cogitar carreira solo, Márcio França acabou aceitando ser vice de Fernando Haddad em SP. Bastou uma conversa com Lula, outra com Alckmin, mais algumas horas de convencimento e a tradicional pressão coletiva que chamam carinhosamente de diálogo.
Enquanto isso, Simone Tebet e Marina Silva ficaram com as vagas ao Senado, completando um quebra-cabeça eleitoral desenhado para agradar aliados e subir o alcance da chapa de esquerda.
Depois de criar um programa para quem estava atolado em dívidas, o governo resolveu prestigiar quem ainda conseguia dormir sem ligação de banco às oito da manhã. Nasceu o “Desenrola para adimplentes”, linha de crédito voltada aos trabalhadores informais que, até aqui, cometeram o erro de pagar as contas em dia.
Seu Planilha explica que faz sentido: se todo mundo estiver financeiramente organizado, quem vai movimentar o mercado de renegociação daqui a alguns anos? Em Brasília, o importante é conquistar novos clientes…
A dívida pública passou dos R$ 10 trilhões e voltou ao maior patamar em cinco anos. A notícia preocupa economistas, analistas e Tia Previdência, que já estava aflita desde o café da manhã fazendo contas na calculadora do celular.
Os déficits do governo central e dos entes regionais ajudaram a empurrar a conta para cima, enquanto o discreto superávit das estatais serviu apenas como rodapé estatístico. No fim, o Banco Central apresentou os números, os economistas fizeram cara de preocupação e a dívida seguiu sua rotina de expansão. Pelo menos ela mantém a qualidade rara da consistência.
O governo lançou o Plano Safra 2026/27 prometendo mais de R$ 525 bilhões para financiar o agronegócio, com juros menores e um discurso recheado de modernização, tecnologia e incentivo à produção. O pacote chega embalado como um afago ao campo em ano eleitoral, porque coincidências continuam sendo abundantes na agricultura nacional.
O curioso é que o dinheiro para investimentos cresceu com vigor, enquanto os recursos destinados ao custeio encolheram. Em outras palavras, há mais incentivo para modernizar a fazenda e um pouco menos para mantê-la funcionando no dia a dia. Ainda assim, o setor sai contemplado com um volume bilionário de crédito. Afinal, quando o agro é pop, o Plano Safra também precisa ser.
Dez dias depois de a PF colocar Jaques Wagner no noticiário ao lado do caso Master, uma nova pesquisa mostrou Lula perdendo parte da vantagem que tinha sobre Flávio Bolsonaro. O cenário de segundo turno agora registra empate técnico, reduzindo a distância que antes parecia mais confortável para o Palácio do Planalto.
Em Brasília, pesquisa ruim costuma ter vida útil curta: rapidamente surge outra para animar um lado ou desanimar o outro. Mas que fique de alerta para o governo, que viu a margem encolher justamente em meio ao desgaste provocado pela mídia.
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